VOCÊ É CARENTE?

As pessoas que sofrem de carência afetiva vivem uma sensação forte de vazio, de algo que precisa ser preenchido e de solidão. Amam ilimitadamente, possuem uma lógica equivocada do amor e se disponibilizam totalmente para o outro. Anulam-se, transformam o outro na sua razão de viver, abrem mão dos amigos, do trabalho, da família, tudo para satisfazer a pessoa amada. Mas, é claro que, ao se doar tanto, além de sufocar o outro, acabam cobrando coisas impossíveis de receber, não são valorizadas e afastam as pessoas a sua volta.

A carência surge de necessidades emocionais como carinho, afeto e atenção, não atendidos na infância ou em relacionamentos passados, o que resulta em baixa autoestima, sentimento de vazio interior e ausência de laços afetivos. Estão sempre buscando no outro o amor que não conseguem depositar em si mesmas. Não dá para transferir para o outro uma responsabilidade que é nossa, esperando que ele nos liberte da dor, da solidão, do medo, da tristeza e nos faça feliz.

A carência faz com que a pessoa se envolva em relacionamentos complicados, com pessoas que não valorizam o estar junto, o carinho e a atenção que recebem.  E sendo assim, vive insatisfeita, torna-se exigente e quer sempre mais. Quem não se valoriza, termina atraindo pessoas que também não a valorizam. E a sensação de vazio permanece!

A nossa cultura estimula o consumo e a posse de bens materiais. Muitas vezes, se compra na tentativa de buscar satisfação e preencher o vazio interior. Cuidado! Fique atento para não cair na armadilha do consumismo. Resistir às compras quando se está carente é mais difícil e o consumo excessivo pode atrapalhar a sua vida pessoal e financeira. Pessoas carentes vivem comprando objetos, redecorando a casa, trocando de carro…, tem mania de comprar tudo, menos o afeto dos outros, que não se compra, se conquista.

A indiferença da sociedade provoca solidão e carência. Todos nós, em algum momento de nossas vidas, podemos ter nos sentido carentes, mas sem eternizar esse sentimento. A pessoa carente torna-se insegura e, por querer agradar sempre, termina sufocando o outro com suas atitudes e cobranças. Você pode ser carinhoso no jeito de falar, ouvir, tocar, chegar perto, mas, sem atropelar o outro ou querer controlar o relacionamento.

 Se você se sente sozinha, abandonada e carente, provavelmente você pode estar afastando as pessoas. Vá com calma! Não se disponibilize com tanta urgência e facilidade. Vá construindo, sem pressa, uma relação de intimidade. Seja cuidadosa e carinhosa com os outros, lembrando, também, de fazer cafuné na sua alma. Seja  seletiva nas suas escolhas amorosas, procurando pessoas mais maduras psicologicamente e que estejam disponíveis para viver uma relação de parceria.

 Aprenda a se amar e a resgatar sua autoestima. Para superar a carência você depende da sua força interior e do estímulo e apoio de amigos e parentes; mas, pra viver um amor sem dano, é preciso aprender a dar e receber.

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