UMA MENTE QUE APRENDE DE FORMA DIFERENTE

Na novela Duas Caras, a atriz Bárbara Borges interpreta Clarissa, uma adolescente que tem dislexia, um transtorno de aprendizagem, hereditário, com alterações genéticas, que atingem uma área do sistema nervoso central, prejudicando o aprendizado da leitura e da escrita. Apesar de atingir 10% da população mundial, ainda há muito desconhecimento sobre esse distúrbio, que atinge mais meninos do que meninas   e provoca tanto sofrimento e baixa auto-estima.

Se a criança gostava de ir à escola e, especialmente a partir da alfabetização, mostra-se desmotivada para estudar, e não quer assistir aula, está sempre com dor de cabeça e reclama que aprender a ler é muito difícil, fique atenta aos demais sinais que indicam a possibilidade de dislexia: apresentam dificuldades em soletrar e aprender rimas; trocam fonemas (b por p, f por v, q por p, d por b, m por n); invertem a ordem das palavras (bolo por lobo); confundem palavras com sonoridades semelhantes; cometem muitos erros ortográficos; custam a aprender seqüência dos meses e dos dias da semana; confundem direita – esquerda, em cima – em baixo, na frente – atrás; têm fraco desenvolvimento da coordenação motora; não conseguem se entender com os dicionários e mapas; apresentam fraca memória recente; têm pavor de ler em voz alta e de fazer ditado; não conseguem aprender um segundo idioma… enfim, apresentam um aprendizado muito lento, especialmente na leitura e na escrita 

SUCESSIVAS RECUPERAÇÕES E REPETIÇÕES

O disléxico  não consegue acompanhar o ritmo de aprendizado da turma e não entende porque o seu desempenho é inferior ao deles. Convive, constantemente, com a angústia provocada pela sensação de que não vai conseguir aprender; tenta ler e tem dificuldade, pois parece que as letras fogem ou trocam de lugar no papel. Tem ainda, que lidar com a decepção e a raiva que suas sucessivas recuperações e repetições provocam na família e nos professores. Além disso, é alvo de brincadeiras e desqualificações por parte dos colegas, que o tratam como se ele fosse burro, irresponsável e vadio.

Diante disso tudo, isola-se a fim de fugir de tanto sentimento ruim que provoca em todos (família, professores e colegas), ou expressa a sua frustração e irritação através do mal comportamento, que funciona como uma defesa a tanta incompreensão e hostilidade a sua volta. Quanta dor e sofrimento são provocados pela desinformação e ignorância! Inclusive, saiba que há uma legislação que ampara os disléxicos e que lhes garante o direito de requerer fazer prova oral; ter 1 hora a mais de tempo nas provas escritas e usar livremente a calculadora.

APRENDENDO A LIDAR COM AS LIMITAÇÕES

Quanto mais cedo for diagnosticada e tratada, a criança com dislexia melhora suas chances de desenvolvimento. O disléxico não é preguiçoso e nem péssimo aluno; é  inteligente, criativo e um lutador  que tenta, diariamente, vencer obstáculos que, sem ajuda e tratamento especializado, são intransponíveis. Pais e professores devem compreender as limitações da criança e procurar incentivá-las sem muita cobrança, mostrando que apenas precisam de uma ajuda especial , mas que dificuldades todos têm.Respeite o ritmo da criança orientando-a a: ler devagar; anotar as dificuldades; pedir ajuda sempre que necessário; estabelecer uma rotina de estudo; não ter pressa para terminar as tarefas e não se preocupar com o tempo dos outros; aceitar aulas de reforço; realizar outras atividades prazerosas; ler os textos em voz alta para que possa ser corrigidas. E, acima de tudo, mostre que viver é muito mais do que saber ler e escrever.

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