Tapinha dói, sim.

                                                      

Sempre que eu ouço alguém ameaçando uma criança de que se ela continuar fazendo tal coisa ela vai apanhar, minha alma fica arrepiada porque acho que um adulto bater numa criança é muita violência. Também não consigo mais ouvir o argumento de que eu apanhei e estou aqui., embora saibamos todos que perder a paciência faz parte da nossa humanidade. Educar dá muito trabalho.

Antigamente era mais fácil educar os filhos. Os papéis eram bem definidos: os pais mandavam e os filhos obedeciam. Atualmente, os pais sentem-se inseguros quanto à melhor forma de proteger e educar seus filhos e sentem-se culpados se algo sai errado na vida deles. Mas, como vivem estressados com as urgências e circunstâncias da vida perdem a paciência e terminam batendo. Perder a paciência é humano e normal, principalmente com algumas crianças que aprontam muito e teimam em desafiar as ordens dos pais.

A verdade é que: os pais batem não só com a intenção de educar, batem, também, porque estão estressados e inseguros; uma palmadinha não deixa ninguém traumatizado, mas dificilmente é só uma palmadinha; os pais acreditam que não batem com força, mas a criança não sente assim; a palmada interrompe o comportamento inadequado, pode até resolver na hora, mas não garante que o fato ocorrido não volte a acontecer na ausência dos pais; quando a palmadinha não resolve, a raiva e a impaciência dos pais aumentam e a força da palmada (deixa de ser palmadinha) também; o medo de apanhar ensina a criança a mentir; a violência reforça comportamentos agressivos; as punições físicas são prejudiciais às crianças, especialmente as rigorosas; obedecer por medo não é disciplinador. Há outras formas melhores de educar uma cria

Mudar hábitos e gestos arraigados culturalmente não é uma tarefa fácil. Com muita freqüência a gente ouve frases do tipo “eu apanhei dos meus pais e isso não me traumatizou e nem me transformou numa pessoa revoltada” por isso quem apanhou tende a tentar disciplinar seus filhos usando o mesmo recurso: a “palmada educativa”. Mas, existem outras formas de corrigir uma criança e impor limites que não seja batendo. A punição não precisa ser física e nem psicológica; às vezes os pais não batem, mas desqualificam, criticam, ameaçam hostilizam o que pode ser tão prejudicial quanto usar a violência. Exercer autoridade não depende de força física e sim de calma e firmeza.

Não é causando dor que você vai conseguir educar seu filho. Quando necessário, repreenda-o e ponha-o de castigo tendo o cuidado de explicar o motivo e o objetivo de sua conduta. Diga não, defina e imponha limites, cobre posturas e atitudes que sejam compatíveis com a capacidade de compreensão, a maturidade e a idade das crianças.  Bater nos filhos alivia a raiva dos pais, embora também os encha de culpa depois. A compreensão, o acolhimento e o diálogo continuam sendo a melhor e mais eficaz forma de educar de educar. Não bata, eduque!                                                                                                                                                                                                             

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