TÃO PERTO, TÃO LONGE!

Há bem pouco tempo atrás era muito comum os pais reclamarem que os filhos não saiam do computador e não largavam os celulares. As escolas reclamavam que os alunos falavam ao celular durante as aulas, escondiam o telefone nas mochilas abertas sobre o colo e ficavam mandando mensagens até mesmo para outros colegas da sala ou ficavam jogando. Muitos alunos foram colocados para fora de sala por conta disso. O rendimento escolar caía e os pais estabeleciam como castigo que os filhos ficariam alguns dias sem poder utilizar o celular e o computador. Isso tudo continua acontecendo até hoje.

Com o aparecimento dos smartphones, essa maravilhosa criação que veio facilitar a vida de todos nós, a situação ficou um pouco mais complicada. Agora, nesse pequeno aparelho móvel, as pessoas passaram a ter acesso ao twitter, facebook, games, e-mails, instagram, youtube, whatsapp, ouvem músicas, criam vídeos, ou seja, têm acesso direto e imediato a internet e a uma infinidade de aplicativos disponíveis. Os pais continuam utilizando a retirada dos celulares dos filhos como forma de punição pelo baixo rendimento escolar ou mau comportamento, porém, eles também incorporaram o uso dos smarthphones em suas rotinas e, pasmem, hoje são os seus parceiros que reclamam que eles não largam o celular. Pode Freud?

DEPENDÊNCIA DIGITAL

Se você prestar atenção numa sala de espera de consultório, num restaurante, num clube ou até mesmo numa festa, você vai perceber que tem muitas pessoas plugadas em seus celulares. O uso excessivo do meio digital já se transformou em rotina, e o que é pior, muitas pessoas nem se dão conta de que até almoçando estão respondendo e-mails e mensagens ou verificando notificação nos aplicativos. Assim, ficar sem ter acesso aos recursos da internet e do telefone está virando doença (Distúrbio de Dependência em Internet e nomofobia). Ao ser privado do objeto da compulsão, a pessoa apresenta sintomas de muita irritação, ansiedade e mal-estar, com direito a sintomas de abstinência, parecidos com os provocados pela ausência de drogas.

Isso sem falar que ficar muito tempo conectado leva ao sedentarismo, prejudica a saúde, desencadeia briga com o companheiro que se sente abandonado e desamado, provoca queda de produtividade e, às vezes, até podem causar endividamento, pois as pessoas com dependência digital costumam também ficar muito ansiosas em ter sempre os últimos lançamentos do mercado e, mesmo que elas não possam comprá-los no momento, acabam não resistindo à tentação de tê-las para seu deleite e prazer.

NADA SUBSTITUI A PRESENÇA FÍSICA

 A verdade é que muitas pessoas estão perdendo a noção do tempo que passam no celular. Ao acordarem, ainda na cama, já estão verificando o que foi postado durante a noite; o mesmo acontece antes de dormir e dessa forma o dia acontece e a prioridade passa a ser criar oportunidades e possibilidades para ficarem conectados. A dependência pode ser tanta que, mesmo que a pessoa esteja acompanhada de alguém, se esquece da presença do outro e fica mergulhado no vício do seu mundo virtual.

Os smarthphones nos permitem carregar junto conosco, no bolso ou na bolsa, todas as possibilidades de ficar conectados com o mundo. È maravilhoso poder conversar e ver a minha Clarice, em tempo real, que está morando tão longe, em outro país e poder minimizar um pouco da minha imensa saudade; é fantástico poder encontrar pessoas, fazer novos amigos, saber o que está acontecendo no mundo, aprender coisas, tudo isso é impagável. Mas, fique muito atento para não trocar o mundo real pelo mundo virtual. Saiba usar os maravilhosos recursos tecnológicos para facilitar sua vida. Aproxime-se de quem está longe, mas não se afaste de quem está perto. Dê atenção a quem está ao seu lado. Nada substitui um beijo, um abraço e um roçar de mãos. Certo?

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