SOMOS TODAS MYRIAM!

 

Semana passada, uma denúncia de agressão teve grande repercussão em Belém; saiu das manchetes dos jornais e foi parar nas redes sociais, onde foi alvo de centenas de curtidas, compartilhamentos (inclusive o meu) e comentários indignados de mulheres e homens, além de orientações – vários advogados se manifestaram orientando a vítima a buscar os caminhos da lei como forma de se fazer justiça –; de um modo geral, nas postagens, as pessoas prestavam irrestrita solidariedade à vítima e também assumiam para si o comprometimento com a denúncia, afinal de contas todos temos filhas, irmãs, sobrinhas e amigas e que não estão livres de um dia também se tornarem vítimas de agressão. Virou comoção social!

Então, a vítima da vez foi a estudante Myriam Ruth Magalhães, de 22 anos. Segundo relatos da mesma, no dia 10, ela e algumas amigas, encontravam-se no Bar Toca, quando um grupo de rapazes se aproximou, empurrando e tentando tomar conta da mesa; ela reclamou com eles, ouviu xingamentos e foi procurar a segurança do bar (que também era uma mulher), que se dirigiu aos rapazes e solicitou que eles se afastassem um pouco, no que foi momentaneamente atendida; porém, logo em seguida, o grupo retornou de uma forma mais agressiva: um deles “passou a mão” em Myriam que reclamou novamente e como resposta recebeu um soco, caiu ao chão e continuou sendo furiosamente agredida ( recebendo socos e pontapés) por Ayrton Carneiro, um dos rapazes do grupo.

NADA JUSTIFICA A AGRESSÃO

 Essa história não termina aí, uma das amigas de Myriam tentou defendê-la e também foi agredida. Depois disso, não sem antes ameaçá-la de morte, o rapaz foi retirado do local.  Em depoimento também postado nas redes sociais o rapaz, através do seu advogado, conta uma versão completamente diferente: “diz que ele apoiou o seu copo de bebida na mesa em que Myriam estava, que em função disso ela passou a ofendê-lo, chamando-o de “pobre” e depois de “viadinho”, e que houve agressões verbais e físicas de forma recíproca”.

As fotos que retratam de forma inequívoca as marcas do espancamento que a jovem foi vítima também foram divulgadas, não há como negar, aliás, a agressão física não é negada pelo rapaz, que declara que foi recíproca. O que fica muito difícil de ser entendido por mim e pela grande maioria das pessoas (se não todas) que vem acompanhando o desenrolar deste cruel episódio é como uma jovem franzina conseguiu ter forças para agredir um lutador de jiu jitsu (parece que faixa preta)? Nada que seja dito vai justificar tamanho ato de selvageria e violência. Ninguém fica violento da noite para o dia!

VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

                Atos de violência como esse fazem parte da cultura do desrespeito contra a mulher. Esse padrão de comportamento do agressor demonstra o quanto ainda somos vítimas de alguns homens que se acham no direito de tratar grosseiramente, desqualificar, agredir e até mesmo matar uma mulher, seja ela sua namorada, companheira, sua ex ou até mesmo uma desconhecida, como no caso dessa jovem, quando se sentem contrariados em seus desejos e condutas. A impunidade faz com que a barbárie se perpetue!

Não conheço a Myriam, mas como mulher, como mãe, como cidadã e como terapeuta deixo claro a minha indignação e me solidarizo com ela e sua família. Essa moça está sendo muito corajosa em fazer publicamente essa denúncia, em mostrar as marcas no seu corpo, em falar das feridas da sua alma, em enfrentar o medo, a humilhação e a vergonha e não se calar diante de intimidações, agressões e ameaças. Denunciar o agressor e buscar justiça é a melhor forma de se recuperar a dignidade.

A tarefa de combater a violência contra a mulher deve ser de todos nós, homens e mulheres. Nós, enquanto pais, devemos nos preocupar em educar nossas filhas orientando-as para que elas jamais aceitem ser agredidas e ensinar aos nossos filhos a respeitarem as mulheres. Denunciar os agressores e ajudar a socorrer e acolher as vítimas é o caminho. Chega de violência e de impunidade. Que os fatos sejam apurados e que se faça justiça!

 

 

 

 

 

 

 

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