QUE CADA UM CUMPRA COM O SEU DEVER!

No dia 13 de janeiro, o navio Costa Concórdia deixou o porto de Civitavecchia, a 70 quilômetros de Roma, com 4.229 pessoas a bordo (entre passageiros e tripulantes) com destino ao Mar Mediterrâneo, onde essas pessoas esperavam usufruir um maravilhoso cruzeiro de sete dias. Mas, o sonho de uma viagem encantadora para todos acabou em poucas horas, pois a inabilidade e imprudência do comandante fez com que o navio, um dos mais modernos e luxuosos do mundo, naufragasse próximo a Ilha de Giglio.

O saldo dessa tragédia provocada por uma sequência de erros, até o presente momento, é de 12 pessoas mortas e outras 23 continuam desaparecidas nas águas geladas do Mar Tirreno. Além de provocar toda essa tragédia, o Comandante do navio, Francesco Schettino, abandonou os ocupantes do navio a própria sorte, se preocupando apenas em salvar a sua vida. Não coordenou a saída das pessoas do navio e se retirou, descumprindo a máxima de que o comandante é sempre o último a sair do navio, pelo menos nos momentos de infortúnio.

VERGONHA E INSENSATEZ

E essa triste história continua seu enrredo com a entrada de um novo personagem, o Capitão Gregório de Falco, da Capitania dos Portos, circunstancialmente transformado em herói por ter tido uma postura correta, firme e incisiva com o Comandante Schettino. No momento em que tomou conhecimento do naufrágio, pelo telefone,  Gregório ordenou que ele  liderasse o resgate e permanecesse  no navio até que a última pessoa a bordo fosse  retirada, ordens essas que foram solenemente ignoradas. Como toda conduta tem uma conseqüência, claro que o Comandante Schettino vai ser responsabilizado criminalmente pelos seus atos, mas nada poderá reparar a morte de tantas pessoas.

O interessante nessa história de dor e sofrimento foi a fala da esposa do Capitão Gregório, Raffaella, discordando da condição de herói em que o seu marido esta sendo involuntariamente colocado: “É preocupante que pessoas como o meu marido, que simplesmente fazem o seu dever todos os dias, tornem-se imediatamente heróis nesse país.” E ela está absolutamente certa! O que talvez ela não saiba é que isso acontece não só na Itália. Parece que essa inversão de valores que faz com que as pessoas se admirem e transformem em heróis os que agem de forma correta está se tornando, cada vez mais, um fenômeno mundial.

CONFORMISMO E IMPUNIDADE

Nós vivemos uma época de inversão de valores onde quem cumpre com o seu dever, faz o seu trabalho da forma como deve ser feito e age de forma honesta e responsável passa a ser objeto de admiração. O que deveria ser uma postura natural e corriqueira, torna-se um fato digno de merecer destaque. E, se deixou de ser natural é porque nós permitimos que isso acontecesse, pelo fato de não reagirmos e nos indignarmos diante de atos de desonestidades, deslealdades, injustiça, irregularidades e improbidades.

Que tal se nós todos ficássemos atentos e dispostos a reclamar sempre que nos sentíssemos lesados ou desrespeitados de alguma forma? É nosso direito sermos bem atendidos em lojas e repartições; bem cuidados pelos profissionais da área de saúde que procuramos; dignamente representados pelos políticos que elegemos; respeitados por nossos parceiros amorosos e gentilmente tratados por todos. Só fazem com a gente aquilo que permitimos que façam. Vamos exercer nossa cidadania, cobrando, em todas as esferas e circunstâncias, que sejamos amparados, representados e atendidos de forma digna e correta, como atos naturais e não como atos “heróicos”…

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