QUANDO A TRISTEZA GANHA ESTATUS DE DOENÇA

 

Viver é maravilhoso, mas não é nada fácil.  A cada dia que passa o mundo torna-se cada vez mais tenso e violento, especialmente em Belém, pois nossa capital faz parte de mais uma triste estatística, é considerada a 23ª cidade mais violenta do mundo. Assim, a ansiedade e o medo nos perseguem, o tempo todo precisamos estar atentos e buscando novas formas de nos proteger e fugir de situações de perigo. A verdade é que vivemos assombrados por cobranças sociais, pela violência e por muito estresse.

Nesse ambiente de incertezas e inseguranças adoecemos mais, fisicamente e emocionalmente; nossa sanidade mental é fortemente influenciada pelo meio ambiente. Há pouco espaço para elaborarmos nossas angústias, perdas e medos e, nesse contexto, os índices de depressão tornam-se ainda mais assustadores: mais de 350 milhões de pessoas de todas as idades sofrem de depressão no mundo; estima-se que atinja 38 milhões de pessoas no Brasil e que, em cada 10 pessoas, pelo menos uma vai enfrentar a depressão em algum momento da vida. Alarmante, não?

O GRANDE DESAFIO CONTEMPORÂNEO

O problema é que apesar desses índices alarmantes, muitas pessoas continuam confundindo tristeza com depressão. A tristeza não é doença, é um estado emocional transitório (você sabe o motivo) e desaparece naturalmente. Já a depressão é uma doença caracterizada por uma tristeza duradoura, profunda e sem causa específica; que afeta o bem-estar e a felicidade do indivíduo; reduz sua capacidade de trabalho e a sua produtividade; compromete o humor, o corpo e o pensamento; rouba o interesse por tudo que antes lhe proporcionava prazer; provoca alteração no sono e no apetite; diminui a libido; provoca um desânimo profundo, cansaço e irritação; desperta sentimentos depreciativos, incapacidade de fazer escolha e a pessoa vive uma tristeza profunda e inexplicável.

Embora a gravidade dos sintomas varie de pessoa pra pessoa, o portador do distúrbio depressivo convive, o tempo todo, com a sensação de vazio. Não consegue ver possibilidades a sua frente, sente que caminha em direção ao nada, tudo parece irremediável e ele não tem forças para reagir, e nesse desespero todo pode passar a ter ideias de morte e suicídio e, muitos não ficam só na ideia. É preciso que as pessoas tenham a clareza que a depressão é uma doença e não uma escolha ou uma fraqueza da pessoa, que envolve alterações neuroquímicas e tem fortes implicações genéticas, psíquicas, emocionais e sociais.

CAMINHOS POSSÍVEIS

 Além de muita compreensão e ajuda dos familiares e amigos, o deprimido precisa de tratamento médico e psicológico e, quanto mais cedo se buscar ajuda especializada, maiores serão os prognósticos de melhora. A ciência avançou bastante e hoje já dispomos de mais informações e opções de tratamento. Além da medicação , psicoterapia e a prática de  exercícios físicos, essenciais na maioria dos casos, outros recursos tem se mostrado muito eficazes como a meditação, a acupuntura e a yoga. Todas as práticas tem o mesmo objetivo: o controle dos sintomas para que a pessoa volte a exercer suas atividades, ocupar os vazios e trazer o prazer e o afeto de volta para a sua vida. Buscar apoio espiritual também é fundamental, não só nos momentos de doença, mas também na vida. A fé ajuda a curar!

O tratamento da depressão não costuma ser rápido, dura em média de seis meses a dois anos, o que vai exigir do paciente e seus familiares muita paciência, compreensão e determinação para seguir as orientações dos profissionais envolvidos no atendimento. É imprescindível o envolvimento da pessoa em seu processo de cura, criando possibilidades para que o vazio e a dor sejam preenchidos pela esperança, pelo prazer e pela alegria.

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