Quando a mãe chora mais que o bebê

 O nascimento de um filho costuma ser um dos momentos mais inesquecíveis e uma das vivências mais felizes do universo feminino. A chegada do bebê, embora ansiosamente esperada, acarreta profundas mudanças físicas, emocionais e no cotidiano das mulheres: a vida passa a girar em torno daquele serzinho tão lindo e desprotegido, que passa a ocupar quase todo tempo e espaço da vida da mãe, mobilizando toda a família em torno dele.

Mas, apesar da alegria e felicidade desse momento, o pós-parto costuma ser um período delicado, que envolve muito cansaço, estresse e medo de não dar conta de atender a todas as demandas do neném e conseguir desempenhar adequadamente o seu papel de mãe. Assim, é absolutamente natural que as mulheres fiquem melancólicas e passem por um período de depressão leve, que dura no máximo cinco semanas e não traz maiores conseqüências para a interação entre a mãe e o bebê. Agora, se quando a criança chora, a mãe chorar mais que ela e apresentar vontade de sair correndo, desaparecer e sentir-se totalmente incapacitada em lidar com o bebê, o problema é bem mais sério e provavelmente deve estar sofrendo de depressão pós-parto.

Administrar uma nova rotina

A depressão pós-parto afeta mulheres de todas as idades, pode ocorrer até o sexto mês após o parto e não apenas nas primeiras gestações,  atingindo de 15% a 20% das gestantes. Tem os mesmos sintomas da depressão “normal”: crise de choro, fadiga, irritação, alteração no sono e no apetite, tristeza durante a maior parte do dia, auto-estima baixa, pensamento sobre suicídios e morte, além de apresentar desinteresse pelo bebê, medo de fazer mal a criança ou a si mesma… Sente-se totalmente incapaz de lidar com um recém-nascido, acredita que falhou como mãe, culpa-se por não conseguir cuidar da criança e lhe fazer carinho. Está infeliz, num momento em que todos cobram que ela esteja feliz, afinal de contas, ela realizou o sonho de quase todas as mulheres, a maternidade.

Sente-se fragilizada por tantas mudanças em sua vida e por ter que lidar com novas e exaustivas rotinas, estresse e confusão de sentimentos. O desgaste nesse período é muito grande, tanto que alguns maridos não agüentam a barra e com o argumento de que precisam acordar cedo no dia seguinte para trabalhar, pedem que a mãe e bebê durmam num outro quarto, pois ele está estressado e com sono. E a mãe, como fica? Cabe à família dar apoio, se fazer presente e ajudar para que todos se acomodem a essa nova situação de vida, da melhor forma possível.

É preciso ser cuidada para poder cuidar

O pós-parto é considerado um período de risco psiquiátrico e requer um cuidado muito especial, principalmente com as mulheres que apresentaram depressão anterior à gravidez, às que tem tendências depressivas e as que se submeteram a tratamento para engravidar, pois, nesse caso, o investimento emocional na gravidez é imenso, o que aumenta o medo da perda. A depressão pós-parto requer tratamento imediato, visto que interfere no vínculo da mãe com o bebê e no crescimento saudável do recém-nascido.

O apoio da família, especialmente do companheiro, é fundamental no pós-parto (e sempre!), cuidando e dividindo tarefas. Se você teve bebê recentemente, se cuide: priorize o seu descanso; tente tirar um cochilo quando o seu filhote dormir; aproveite uma folguinha na sua exaustiva agenda materna para sair de casa e dar um passeio; procure conversar com outras mães e trocar experiências sobre a maternidade. A mulher precisa se sentir cuidada para poder cuidar do seu bebê e estabelecer com ele um vínculo afetivo seguro, tão necessário ao desenvolvimento psicossocial da criança.

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