PRECISA DESENHAR?

As taxas de letalidade da Corona vírus continuam crescendo assustadoramente e, infelizmente, nosso povo continua fazendo pouco caso dessas informações. No mundo, já foram confirmados 4.171.859 casos de contaminação com 285.690 mortes; no Brasil, 168.331 casos com 11.519 mortes (dados de 11.05); no Pará, foram confirmados 8.616 casos e 865 óbitos. Em Belém, 427 mortes foram contabilizadas entre 3.861 casos confirmados – isso significa que 11% dos diagnósticos resultaram em óbitos, o que faz a taxa de letalidade no estado ser maior do que a do Brasil (6,5%).

A situação é tão grave que o Governo do Estado decretou lockdown (bloqueio total), que começou a vigorar no dia 7 e se estende por 10 dias, para garantir que o isolamento social seja cumprido. Essa medida visa restringir a circulação de pessoas nas ruas e, exceto as pessoas autorizadas a circularem por necessidades de trabalho (considerados essenciais) ou de sobrevivência (comprar alimentos, remédios, sacar dinheiro, consultas e exames…), quem não se enquadrar nesses critérios e estiver circulando pelas ruas, será passível de punição.

As autoridades de saúde do mundo inteiro têm orientado o isolamento social como forma de evitar a proliferação da contaminação. A situação fica ainda mais difícil nas periferias, onde a desigualdade social coloca a população mais pobre em situação muito mais delicada diante da pandemia (precisam pegar ônibus, moram muitas pessoas no mesmo espaço, muitos trabalham na economia informal ou estão desempregados, não têm condições de manter os cuidados higiênicos recomendados…). Mas, não ter condições para manter o isolamento social tem vaticinado muitas pessoas à contaminação, porém, um grande número de pessoas que poderia estar cumprindo essa determinação deixa de fazê-lo por outros motivos.

E que motivos seriam esses? Vários! Inicialmente, costuma ser um comportamento bem típico dos brasileiros, a dificuldade em respeitar regras sociais (as regras são para os outros), a partilhar valores e a se preocupar com o bem coletivo; isso sem falar no pensamento mágico de que “não me considero em risco” – essas pessoas devem ter como exemplo o presidente da República que desobedece a todas as regras de respeito social, não só no campo da saúde. E aí, o raciocínio que prevalece é o do eu também posso! Acontece que o sistema de saúde entrou em colapso, se acontecer alguma coisa de mais grave com o presidente, com seus filhos…, eles têm atendimento garantido, nós não!

Já os idosos, apesar de serem do grupo de risco, vivem a negação do medo – mesmo tendo medo de morrer, envolvem-se em questões cotidianas como forma de dar sentido à vida deles (para eles a rua é diversão); para os jovens, o afastamento da escola e dos amigos, costuma deixá-los muito ansiosos (mesmo sem a pandemia, eles já são ansiosos), principalmente, pela não vivência da sexualidade e da socialização. E, para quem quer ficar vivo é necessário escolher ficar em casa!

Isso tudo vai passar, precisamos atingir 70% de isolamento social para que o sistema de saúde dê conta de cuidar da população (não estávamos atingindo nem 50%). Precisamos ter fé, atitude e demonstrar nosso amor pela vida. Vamos ficar em casa!

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