POR ONDE ANDA NOSSA HUMANIDADE?

Tempos difíceis! Vivemos uma era de mudanças e urgências. Passamos o dia conectados, acelerados, tentando fazer o dia render para que possamos dar conta de cumprir tantas demandas, necessidades e desejos presentes no nosso cotidiano; reclamamos constantemente da falta de tempo, corremos tentando fugir do estresse e da ansiedade e, por vezes, a solidão nos alcança – passamos o dia conectados e deixamos de priorizar um tempo para nós mesmos e para que os encontros aconteçam no mundo real.

Nossa humanidade (sentimento de bondade e benevolência em relação aos semelhantes) têm se mostrado muito direcionada a quem pensa igual a nós – amamos o que é idêntico a nós e odiamos o que é diferente. Parece que esquecemos que todos merecem respeito e acolhimento; a intolerância e a impaciência diante de quem pensa ou haja de forma diferente de nós, tem sido motivo para que o preconceito e o desrespeito se manifestem de forma cruel.

Precisamos, urgentemente, tentar resgatar nossa humanidade e um bom caminho é aprender com as crianças: basta observar a forma como elas se procuram e se juntam para brincar; elas aceitam de modo muito natural conviver com as diferenças (desde que elas não tenham sido ensinadas a discriminar). Para elas, cor, classe social e diferenças culturais não são empecilhos para que a brincadeira ocorra de forma saudável e para que se chamem e se tratem como amigos.

Recuperar nossa humanidade passa pelo exercício da empatia (capacidade de nos colocar no lugar do outro). A legitimação da individualidade tem levado as pessoas a se mostrarem indiferentes ao sofrimento alheio; o que acontece fora do meu quadrado não me interessa. A empatia nos torna mais sensíveis às dores do mundo, mais solidárias ao sofrimento dos outros, mais inclusivas, mais comprometidas com a prática do respeito mútuo e com o resgate de valores coletivos.

A construção de uma sociedade menos violenta, intolerante e individualista depende de todos nós. O treino da empatia pode ser socialmente desenvolvido, por isso, nosso compromisso enquanto pais e mães, por sermos modelos de identificação e referências primárias de afeto, devem ser o de ensinar aos nossos filhos, desde a infância, a amar o próximo e respeitar às diferenças – ensine seu filho a emprestar os brinquedos e a partilhar o lanche, a ser cuidadoso com as pessoas e com os animais, a agradecer, a ser gentil, a saber ouvir e a respeitar a todas as pessoas.

 A falta de empatia justifica tantas atrocidades acontecidas atualmente e fomentam a disseminação da cultura do ódio.  As pessoas têm o direito de pensar diferente dos outros, mas não têm o direito de serem desrespeitosas, intolerantes e preconceituosas. O que se espera de uma pessoa que tenha caráter é que ela exercite a empatia e a solidariedade.

É na atenção aos detalhes que se constroem os afetos. A nossa humanidade depende da construção de nossos afetos e de termos um olhar amoroso para nós mesmos e para os outros.

E viva nossas diferenças!

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