PERDAS PRECOCES

 

Lidar com perdas não é fácil, para ninguém. A gente nunca está preparado para lidar com a morte, embora as religiões possam trazer resignação e conformação às pessoas, principalmente quando se acredita que a morte não é o fim e sim o recomeço de outra etapa e que a ligação de afetividade com os que se foram dessa vida é eterna, mesmo assim, é muito difícil conviver com a ausência física e a saudade. E quando a morte de alguém próximo e amado ocorre de forma abrupta e inesperada, tipo num acidente ou fatalidade, lidar com essa realidade pode ser ainda mais dolorida e difícil.

Quando há crianças na família, elas também vão ter que lidar com essa perda, portanto é preciso que se tenha um cuidado muito especial com elas. Para começar, engana-se quem acha que a criança não vai conseguir entender o que é a morte, entende sim! Então é preciso que os adultos não a excluam do processo da elaboração da perda e, para que elas possam elaborar esse luto, elas precisam ter informações e explicações claras sobre o que é a morte e como vai ficar a vida dela e da família a partir desse fato.

O LUTO

De um modo geral, os adultos tentam proteger as crianças de todos os sofrimentos e perdas da vida, assim, quando a criança tem um animalzinho de estimação e ele morre, é muito comum que os pais comprem imediatamente outro animalzinho, muitas vezes até da mesma raça, para substituir o que morreu. Não é legal fazer isso! O ideal é que esse momento sirva de referência para ela entender que aquele cãozinho, peixinho, gatinho… não ia viver para sempre, e que eles podem até comprar outro animal, porém ele não vai substituir o outro que morreu, mas pode ser muito amado também.

Assim como a morte de um animal de estimação ajuda as crianças a entenderem que nascer e morrer são ciclos da vida, filmes infantis como “O Rei Leão”, onde o filhote Simba lida com a morte de seu pai Mufasa são excelentes recursos para as crianças aprenderem sobre o morrer. Outra coisa, é preciso ficar atento para que ao falar sobre a morte de alguém que fazia parte da vida da criança, não se use expressões do tipo “ela viajou”, “descansou”, “se foi” ou “partiu”, pois isso as deixa confusas e dá a falsa impressão de que a qualquer momento essa pessoa pode voltar.

PARTICIPAÇÃO NOS RITUAIS

O processo de elaboração de perdas, o luto, acontece em todas as idades, inclusive na infância; essa história dos adultos acharem que as crianças não vão perceber que algo de diferente e grave aconteceu e que elas vão brincar e esquecer tudo, não procede quando se trata da morte de pessoas próximas, com quem elas tinham contato constante. As percepções e elaborações da criança, sobre a morte e outras circunstâncias da vida, vão depender da idade dela, do seu desenvolvimento cognitivo e psicológico e das vivências familiares – a partir dos 10 anos a compreensão da criança sobre a morte é melhor, mas em qualquer idade, quando os adultos significativos não conseguem aceitar a realidade e lidar com a perda, tudo fica muito mais difícil para todos.

Quanto ao velório e enterro, nunca se deve obrigar uma criança a participar e, se ela quiser ir, explique para ela como funciona todo o ritual, antes dela chegar ao velório, assim ela vai saber o que vai encontrar lá. Ela indo ou não ao velório é muito importante que se garanta um espaço para que a criança possa falar dos seus medos, dores e fantasias. Favorecer a conversa, compartilhar sentimentos e promover o acolhimento vai fazer bem a todos e vai ajudá-la a entender que a perda é definitiva, que ocorre com todas as pessoas, que vocês todos estão muito tristes com o que aconteceu e que juntos enfrentarão esse momento de muita dor, mas que vai passar e a vida vai seguir o seu curso.

 

 

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