“PÁGINA INFELIZ DA NOSSA HISTÓRIA”

No dia 20 de novembro é celebrado o Dia Nacional da Consciência Negra, data escolhida em homenagem a Zumbi dos Palmares (dia da morte de Zumbi), um dos mais importantes líderes quilombolas e um símbolo na luta contra a escravidão negra no Brasil. Já se passaram 132 anos desde a abolição da escravidão e a população negra, que é maioria em nosso país (segundo dados do IBGE, negros e pardos constituem 56,10% da população) continua sendo vítima de preconceito, discriminação e sofrendo com as desigualdades sociais.

 Não consigo deixar de me emocionar e ir às lágrimas ao ouvir a música Mãe Preta “Enquanto a chibata batia no seu amor, mãe preta embalava o filho branco do senhor” (Caco Velho e Piratini). Essa é uma lembrança da minha infância, minha amada Tia Nanete cantava e explicava para nós (sobrinhos e filhos) o quanto era injusto, desumano e cruel o racismo. E, infelizmente, o Brasil continua sendo um país preconceituoso e racista, onde a taxa de homicídios de negros é quase três vezes maior que a de brancos; nos últimos dez anos, o assassinato de negros aumentou em 11,5%, enquanto que o dos não negros caiu em 12,9%.

Todos os dias, em algum canto do nosso país, pessoas negras são ofendidas, discriminadas, agredidas verbal e fisicamente, algumas até assassinadas por pessoas desajustadas, que não conseguem lidar com as diferenças, não respeitam crenças e nem individualidades, suas atitudes raivosas e criminosas representam uma tentativa de autovalorização através da desqualificação dos outros.

O Brasil é um país formado pela mistura de raças, nós todos somos fruto da miscigenação e a riqueza dessas diferenças é que nos fez crescer e nos desenvolver enquanto povo e nação. Se formos verificar nossas origens, vamos descobrir a presença de negros e índios na nossa família (isso sem falar nas demais raças presentes na vida de nosso povo). Essa pluralidade precisa ser reconhecida e respeitada!

As pessoas não se definem pela cor da pele, pela escolha religiosa, pela orientação sexual, pela classe social ou qualquer outro atributo que não seja o caráter. Nós somos o que pensamos e o que demonstramos com nossas atitudes; assim, o caráter de uma pessoa é definido pela maneira dela agir e reagir às circunstâncias da vida. Sabemos muito acerca de uma pessoa ao observarmos a maneira como ela trata as outras pessoas, especialmente, as que não pertencem a sua classe social e das que ela não precisa para obter favores. Precisamos ficar atentos ao caráter das pessoas, esse é o filtro moral que precisamos ter!

O período da escravidão é algo que nos envergonha enquanto nação. Nós temos uma dívida histórica com os negros! Paulo Freire dizia que “os negros no Brasil nascem proibidos de ser inteligentes”, mas, eles subverteram o tempo, transformaram a dor e o sofrimento em energia para lutar pela liberdade, pelo respeito e pelo direito à felicidade.

Racismo é crime! Combatê-lo deve ser um compromisso de todos nós. Não basta não ser racista, é necessário ser antirracista. Diga não ao racismo!

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