OS MEUS, OS TEUS E OS NOSSOS

                Cada vez mais aumenta o número de famílias descasadas (mãe + filhos ou pai + filhos) e de famílias recasadas (pai + esposa / madrasta + filhos ou mãe + esposo / padrasto + filhos). Com a entrada de novos membros na família (madrasta e seus filhos ou padrasto e seus filhos), as relações de parentesco deixam de ser definidas unicamente pelos laços de sangue.  Hoje, entende-se por família “pessoas que se responsabilizam pelos cuidados umas das outras e estão ligadas por laços de afeto e não necessariamente de sangue”.

                Quando os pais constroem novas relações e, desses novos casamentos nascem outros filhos, além dos meus e dos teus, surgem os nossos e todos podem conviver em harmonia. Mas, nem tudo são flores! Pode acontecer dos filhos das relações anteriores rejeitarem a nova união dos pais; os novos parceiros dos seus pais podem ou não acolher o s filhos das relações anteriores de seus amados, estabelecendo com eles uma comunicação afetiva significativa. De um modo geral, se o conflito conjugal dos pais era claro, e o novo relacionamento surgiu após o término do casamento, a tendência é a de que haja mais naturalidade na aceitação de novos relacionamentos.

                 ´É natural que os filhos defendam a antiga família (eles nasceram nela) e se, eles reagem de forma hostil, provavelmente, estão a serviço de manter a aliança com o pai ou com a uma mãe, tentando compensar a perda da separação. Por isso, recusam-se a perceber e a aceitar a felicidade do pai ou da mãe em um novo relacionamento. Algumas vezes, sentem-se ameaçados diante da possibilidade de seus pais virem a ter outros filhos, ou, até mesmo, reagem por ciúmes diante dos filhos dos novos parceiros que terão a possibilidade de conviver diariamente com o genitor que saiu de casa, enquanto que eles não terão esse privilégio.

                Viver em uma família convencional (pai + mãe + filhos) não garante a felicidade de ninguém e nem os novos casamentos dos pais precisam ser vistos como ameaça, pelos filhos.  Protejam seus filhos: digam-lhes que eles sempre serão amados; que a separação foi do casal e não deles. Cumpram com suas obrigações com relação a eles; continuem funcionando como modelo de autoridade e referência afetiva, inclusive, estabelecendo limites e cobrando respeito, da mesma forma que o fariam se tivessem permanecido no casamento anterior.

 Quanto ao seu novo parceiro, peça-lhe para que ele (ela) não reaja a provocações ou situações do tipo “você não é meu pai” ou “você não é minha mãe”. Como os filhos são seus, é importante que tenha atitudes adequadas e saudáveis, aprendendo a dizer não quando necessário e mantendo uma relação afetiva com seus filhos, sem desproteger o novo casamento.

      O ideal é que consigamos criar nossos filhos para que eles, quando adultos, sejam maduros para se centrarem em suas próprias vidas e menos na dos pais. Nas escolhas afetivas, revelamos o que julgamos merecer. Permita-se acrescentar novos afetos a sua vida e, como diz Borges, “você pode tudo nessa vida, só não pode se fazer infeliz”.  

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