OS HERDEIROS DA DEPRESSÃO

 

Ao longo das últimas décadas os estudos sobre a depressão se intensificaram em razão da prevalência e incidência desse transtorno que é considerado o problema de saúde mais incapacitante do mundo, por isso passou a ser conhecido como o mal do século. Os dados são alarmantes e as perspectivas de melhoras não são nada otimistas: no Brasil, 7,6% dos adultos já foram diagnosticados com depressão (cerca de 11 milhões de pessoas); 1 em cada 4 mulheres sofrem de depressão pós-parto e, segundo previsões da Organização Mundial de Saúde-OMS, em 2030, a depressão seria responsável por 9,8% do total de anos de vida saudável perdidos por conta da doença, porém em 2010 esses índices já foram alcançados.

As pessoas estão acostumadas a lidar com as dores físicas, mas ainda têm muita dificuldade em entender o curso dos transtornos emocionais. Então, para que você entenda, estar triste não é a mesma coisa que estar deprimido. A tristeza não é uma doença, é um estado emocional transitório (você sabe o motivo) e desaparece naturalmente com o tempo e com a ajuda de circunstâncias favoráveis da vida. Já a depressão é uma doença que afeta o bem estar e a felicidade das pessoas; reduz sua capacidade de trabalho e produtividade; compromete o corpo, o humor e o pensamento.

Mais que isso: rouba o interesse por tudo que antes lhe proporcionava prazer; provoca alteração no apetite e no sono; diminui a libido; provoca um desânimo profundo, cansaço e irritação; desperta sentimentos depreciativos, incapacidade de fazer escolhas e uma tristeza profunda inexplicável. A sensação vivida pelo deprimido é de vazio, parece que caminha em direção ao nada. “Fica sem alma nem fala, fica só inteiramente”, e quando deixa de acreditar na perspectiva de melhoras, passa a ver na morte a solução para as suas dores e problemas e, nos casos mais graves, muitas pessoas tentam o suicídio.

Pois é, embora muito se pesquise sobre a depressão, por isso é a doença mais diagnosticada no mundo, pouco, muito pouco tem se estudado a dor dos filhos de homens e mulheres que sofrem com a doença. Então, imagine a dor de um filho, em qualquer idade, ao ter que lidar com uma casa fechada, com o quarto escuro e um dos pais embaixo das cobertas chorando, dizendo que não quer mais viver? E quando é a mãe que está deprimida, a situação tende a ser um pouco pior, pois como historicamente as mulheres assumem mais o papel de cuidadoras, a situação do funcionamento familiar tende a se complicar mais ainda.

Lidar com a depressão dos pais é sempre muito difícil, agora imagine quando os filhos são pequenos, que precisam ser cuidados, que desejam ter colo, carinho e aconchego dos pais e não recebem isso? Como fica para eles essa falta, numa idade em que eles ainda não têm a capacidade de compreender o que o que está realmente acontecendo? Como conseguir ter alegria, sair de casa com os amigos, se divertir sem culpa quando a mãe ou o pai personifica a dor e o sofrimento? Nesses casos, muito cedo os papéis se invertem e os filhos, acabam ocupando o papel de cuidar, proteger e acolher os pais, antes do tempo.

Além de muita compreensão e ajuda dos familiares e amigos, o deprimido precisa de tratamento médico e psicológico e, quanto mais cedo se buscar ajuda especializada, maiores serão os prognósticos de melhora. Incluir a família no atendimento é essencial e não podemos esquecer-nos dos filhos, que também precisam ser orientados, amparados e cuidados.

 

 

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