Onde está o(a) menino(a) que fui…?

Quando a gente é adolescente é natural querer parecer ou, até mesmo, desejar ficar mais velho para poder usufruir dos prazeres da vida adulta: dirigir, ir pra boites, barzinhos e festas; tomar todas; namorar muito; ir pra motel… sem correr risco de ser barrado na porta dos lugares e nem ter que convencer os pais de que todos os jovens fazem isso e que portanto ele(a) também pode fazer. Para eles, parecer infantil só cria dificuldades, por isso precisam apagar todo e qualquer vestígio que lembre a criança que um dia foram, mesmo as coisas boas como a pureza, a doçura, a magia e  a alegria de viver.

O que as pessoas precisam é descobrir que dá pra assumir as responsabilidades de uma vida adulta mantendo a leveza, a alegria e o prazer tão característicos da infância. É um erro acreditar que para crescer é preciso matar a nossa criança interna, muito pelo contrário, preservá-la é uma forma de garantir que as escolhas e comportamentos do mundo dos adultos contemplem, verdadeiramente, nossos desejos e sonhos.

Ver a vida com outros olhos

Uma criança tem a capacidade de ver o que um adulto não consegue ver. É comum elas verem os ambientes e paisagens como se os estivessem vendo pela primeira vez, e isso inclui os espaços familiares; por isso são capazes de assistir ao mesmo filme ou pedir que lhe contem a mesma história inúmeras vezes e demonstrar uma emoção contagiante e renovada. Elas vêem a vida com outros olhos e assim podem transformar cada manhã num mundo novo: num lugar onde nada é certo e tudo é possível, onde magia e encantamento povoam seus sonhos e realidade.

E como as crianças são criativas! Sua liberdade em ver e viver as coisas deve-se à falta de compromisso com conceitos e verdades e, como elas são regidas pelo princípio do prazer, o desejo delas é o que conta.  O mundo delas é vivido num ritmo absolutamente diferente, conseguem como ninguém viver o AGORA, um tempo marcado por instantes e minutos, tudo precisa acontecer rápido, por isso elas sempre nos perguntam se ainda falta muito para chegar a hora do que elas desejam fazer.

Preserve sua criança interna

A brincadeira, em qualquer idade, representa uma forma de se viver a fantasia e exercitar a criatividade, portanto é importante preservar a nossa capacidade de brincar e de viver o lúdico. O maravilhoso poeta chileno, Pablo Neruda, com muita propriedade, dizia que “a criança que não brinca não é uma criança, mas o homem que não brinca perdeu pra sempre a criança que vivia nele e que lhe fará muita falta”. Preserve a sua criança interna. Não a sacrifique em favor de condutas adultas. Você pode funcionar de uma forma harmoniosa sendo um adulto responsável e mantendo sua capacidade de brincar, rir,  produzir afetos, verdades e sonhos.

Mais uma vez, pego carona no Neruda e  sugiro que você se faça essa pergunta “onde está o(a) menino(a) que fui,  segue dentro de mim ou se foi? Quanto a mim, a criança que um dia eu fui, permanece em mim com muito vigor e me ajuda absurdamente a amar a vida, a rir dos meus enganos, a continuar construindo sonhos, a acolher com doçura quem mereça receber amor e me estimula a produzir felicidades.

PS: Acabei de assistir na TV Liberal, no programa Central da Copa, takes do jogo Brasil x Estados Unidos, onde se deu destaque a atuação do Ganso, Neimar e Robinho. Eles nos mostram como é possível se manter a criança interna, sendo responsáveis e comprometidos com a vida. Eles são Show de bola!

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