O sucesso dos outros te incomoda?

O maestro soberano Tom Jobim afirmou certa vez “sucesso no Brasil é ofensa pessoal”. Quando o sucesso e o prazer alheio incomodam e fazem alguém sofrer, isso tem nome: é inveja. As pessoas invejosas, por terem uma auto-estima baixa e uma autoconfiança pouco desenvolvida, ao se compararem com os outros, se sentem inferiores e passam a responsabilizá-los pela sua falta de oportunidade e de sucesso. O invejoso sente muita raiva e passa a criar uma rede de tramas e intrigas, tentando desqualificar, diminuir, criticar, puxar o tapete… enfim, tenta destruir o outro. Apesar de ser humano sentir inveja, ela pode atingir proporções difíceis de ser controlada como na história bíblica de Caim que matou seu irmão Abel.

Não é simples e nem fácil perceber quando estamos convivendo com pessoas invejosas, pois elas costumam ser falsas e dissimuladas, armam situações para derrubar o outro sem aparecer, fazem intrigas envolvendo terceiros ou se escondem através do discurso da crítica construtiva. Por certo, em alguma esquina da vida você já cruzou com alguém assim, que por não ter amor próprio, se auto-rejeita, se sente inferior e se incomoda absurdamente com seu sucesso. Vivemos numa sociedade competitiva, em que comparações são inevitáveis, onde o “ter sucesso” é cobrado de todos. Mas, o caminho do crescimento não é o da inveja, e sim definir um objetivo e caminhar em sua direção.

Só invejamos quem admiramos

Quando admiramos alguém, ou tomamos conhecimento de uma coisa boa que está acontecendo na vida de outra pessoa dizemos que estamos sentindo uma inveja positiva. Eu pessoalmente acho que usamos um termo inadequado, pois o termo inveja não significa “eu quero ter um carro igual ao seu, eu quero também conseguir viver um grande amor, ter sucesso,…”. Na inveja não existe a possibilidade do também, é o desejo de possuir o do outro, é querer tirar o que o outro tem.

Mas, onde termina a admiração e começa a inveja? Eu acredito que, enquanto o sucesso do outro não me incomodar e servir de exemplo me ajudando a crescer, é sinal de admiração dissociado da inveja. O cantor e compositor Chico César, no livro Chico Buarque do Brasil, escreve um artigo em que diz: “… nós amamos Chico Buarque… ser homem no país do Chico é difícil… ele é a denúncia de nossas imperfeições…”. Essa é uma declaração de amor e admiração mas, convenhamos, é muito difícil não se admirar alguém que povoa o sonho de tantas mulheres e consegue compor pérolas como “…se nós, nas travessuras das noites eternas já confundimos tanto as nossas pernas, diz com que pernas eu devo seguir”.

Gente é pra brilhar

O problema não é sentir inveja, e sim o que você faz com esse sentimento. Admitir o que sentimos já é um bom começo. Mas, para se livrar desse sentimento, que só traz sofrimento, é necessário percebermos que, cada um de nós tem as suas próprias habilidades e capacidades e se soubermos usá-las a nosso favor, vamos, também, crescer e brilhar. A vida é tão cheia de possibilidades e aprendizados e, tentar destruir o outro, não nos colocará no lugar dele, só nos manterá na mediocridade e pouco construiremos para nós ao invejar o outro (e só invejamos quem brilha), não vemos o que temos, pois nos concentramos somente no que o outro possui e que não temos. A felicidade, a admiração e o respeito são conquistas pessoais de quem sabe receber e ter gratidão. Devemos ficar atentos e usar nossa energia para construir algo de positivo, nos permitir sermos nós mesmos e buscar relacionamentos saudáveis, onde a confiança, o companheirismo, a cumplicidade e a solidariedade estejam presentes. Sucesso pra todos nós!

 

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