“O HOMEM É DONO DO QUE CALA E ESCRAVO DO QUE FALA”

 

Eu fico impressionada como algumas pessoas não têm o devido cuidado com os outros, não demonstram ter a mínima preocupação com o que falam acerca da vida das pessoas, sejam elas conhecidas ou não; emitem juízo de valor sobre fatos acontecidos, compartilham informações sem ter a certeza da veracidade delas, adjetivam a sua fala com tanta fluência que até os linguistas ficariam admirados. Cuidado! As palavras têm o poder de revelar as pessoas, de demonstrar quem elas são e isso é válido principalmente pra quem fala, muito mais do que pra quem é falado.

Quando você me fala sobre alguém, eu fico sabendo muito mais de você do que da outra pessoa. Assim, as falas revelam intenções, preconceitos, valores, afetos, possibilidades, gratidões, mágoas, rancores, carinhos, esperanças, impossibilidades e, principalmente, denunciam quem você é. Se a sua fala não for agregar nenhum valor a vida de alguém ou à sua vida, se não representar uma forma de reparar erros ou denunciar injustiças, se não servir de incentivo para alguém superar circunstâncias desagradáveis ou contribuir para tornar alguém melhor e se não servir pra fazer alguém sorrir, relaxar, ficar bem se sentir acolhido e amparado, não fale nada. Mantenha-se calado!

FALAR É EXPRIMIR O CORPO

“Os desejos do corpo inscrevem-se na linguagem. Falar é exprimir o corpo, pois a palavra traz a marca do corpo vivenciado (Amado Guité)” e é a expressão real do que pensamos e sentimos. A verdade é que nosso corpo fala e denuncia sentimentos e emoções que a fala, às vezes, tenta esconder: o discurso pode ser falso, irreal e manipulador, as palavras podem não expressar o que sentimos e nem demonstrar as verdadeiras intenções, mas o corpo quase nunca mente e denuncia o que tentamos disfarçar ou esconder. Isso é fato!

Os olhos, então, são extremamente reveladores. Não é a toa que eles são considerados o espelho da alma!  Assim, a beleza da vida está nos olhos de quem olha; a gente vê o que pode, consegue e deseja ver. Tudo o que você percebe, incorpora e transforma em verdade é filtrado pelos seus valores e desejos, tudo o mais passa e isso também se reflete na forma como você percebe as outras pessoas: se você prestasse mais atenção no que te incomoda nos outros, teria uma melhor visão de você mesma, pois é através da relação com os outros que você pode perceber as suas próprias dores e delícias.

SILÊNCIOS QUE SE DECLARAM

Há tanta suavidade e cumplicidade em dividir o silêncio com alguém; em ficar calado e ao mesmo tempo sentir-se partilhando um momento, criando uma história e fabricando lembranças que, quem sabe, transformarão esse aqui e agora num lá e então. Dividir a paz do silêncio é pra poucos, pois ele é a expressão mais forte da emoção, por isso é comum às pessoas ficarem inquietas, inseguras e embaraçadas sem o barulho de vozes; elas precisam ouvir palavras que contam histórias, que podem até provocar discordâncias e virar brigas, mas que preenchem espaços sentidos como vazios sem a interlocução de outra pessoa.

Pois é, Freud tem muita razão em dizer que “o homem é dono do que cala e escravo do que fala”. O pensamento é uma das poucas coisas que nos pertence em sua totalidade, ninguém consegue penetrar neles, já as palavras proferidas podem lhe escravizar e lhe manter preso numa teia de raivas, rancores e complicações. Toda conduta tem uma consequência e tudo o que você fala revela quem você é. O que agregar valor na vida das pessoas e ajudar na construção de laços emocionais deve ser falado e vivido, o resto, não vale a pena ser falado e lembrado

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2 Responses so far.

  1. Giuseppe Stefanuto disse:

    Interessante.

  2. Olivia disse:

    Texto excelente para uma boa reflexão.

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