NOSSA SENHORA DE NAZARÉ, MÃE DA NOSSA HUMANIDADE!

 

É Círio outra vez e “Nossa Senhora aguarda ansiosa a hora de descer do Glória. Cerimoniosa ela não deixa transparecer toda a sua alegria para não melindrar os outros Santos e o seu filho Jesus”. E, radiante de felicidade, ela passeia por esquinas, ruas, avenidas, estradas e rios com o objetivo de abençoar e ver como estão seus filhos muito amados; em sua passagem, vai afagando e acolhendo a todos no seu divino manto, sem discriminar ninguém por idade, orientação sexual, condição socioeconômica ou religião, mas, como uma verdadeira mãe amorosa, detêm o seu olhar em seus filhos mais necessitados, e isso não causa o menor ciúme nos outros filhos.

Nossa Senhora continua sua caminhada pelas ruas de Belém e seu sorriso constante demonstra toda a sua felicidade com tantas homenagens que recebe. Sente-se valorizada como mãe ao ver que a cidade ficou mais bonita e colorida para lhe receber. Caminha um pouco como que inspecionando a vida por aqui e “depois, ela sai de mãos dadas com as pessoas, tal como fazia em Jerusalém nos dias de Páscoa: e cuida para escolher com todos os alimentos para a festa”. Nossa Nazica sente no ar o cheiro do pato no tucupi e da maniçoba e fica aliviada por saber que, pelo menos nesse dia, nenhum filho seu vai ficar com fome, pois a sua presença garante o compartilhar dos alimentos.

E do alto de sua berlinda tudo observa, nada escapa aos seus olhos atentos! Presta atenção às explicações das vendedoras de ervas – “Esta serve para o coração! Esta outra para curar tristeza! Ri a não mais poder pela força anunciada do olho-de-boi, mas guarda um para si na dúvida de lhe poder ser útil”, porém sua atenção maior é para as dores dos seus filhos, “quer saber dos sofrimentos de todos que lhe acompanham e nenhum há que não se sinta confortável com seu olhar de mãe. E sem deixar-se perceber, chora sem saber explicar tantas dores” e, nós todos, choramos emocionados com a sua doce presença.

Em cada canto Nossa Senhora percebe a religiosidade de seus filhos, e se enternece em saber que mais de 2 milhões de pessoas estarão aqui pra lhe tomar a benção. Ela sabe que este é o momento mais especial na vida de nosso povo, e já faz tempo que o nosso calendário é marcado em antes ou depois do Círio. E, apesar de sabermos que, a sua capacidade de perdoar é tão grande quanto o seu amor por nós, entre nós, coisas de irmãos, a gente fala:” às vezes ela se irrita com o excesso de pieguice, mas acolhe as manifestações com o mesmo fervor que lhe são oferecidas. Vai à feira de miriti e compra inúmeros brinquedos para o menino Jesus” e chegando lá, não têm como não se enternecer novamente, pois todos aqueles brinquedos coloridos também são em sua homenagem.

Nossa Nazica, nossa mãe e padroeira, mais uma vez nós, como nos outros outubros, estamos aqui reunidos em torno da nossa fé e, além de todas as coisas que nós o ano inteiro lhe pedimos como sarar de alguma enfermidade, conseguir comprar a casa própria, passar no vestibular, passar num concurso…, de uma forma muito especial lhe rogamos para que nos ajude a sermos mais caridosos e humanos.

“Nossa Senhora de Nazaré, Mãe de Deus e dos homens, caminhando por Belém em todos os outubros e no meio do seu povo, tão santa e tão humana, Mãe de nossa reconciliação com nossa humanidade”, nos oriente no caminho da verdade, do respeito às diferenças, da generosidade e do amor. Feliz Círio a todos!

*Os versos citados no texto são do belo poema “Mãe da nossa humanidade”, de Emanuel Matos.

 

 

 

 

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