NOSSA ESSÊNCIA NOS DEFINE!

 

Há alguns anos, um estudante de psicologia da USP, resolveu participar de um experimento muito interessante:  vestiu-se de gari (calça, camisa e boné vermelho) e entrou no prédio do Instituto de Psicologia no intervalo das aulas, e constatou que as pessoas não só não o reconheciam como também se desviavam dele – ninguém o cumprimentou, nem seus professores e colegas de sala. Ele ficou andando por ali, mas parecia que ele tinha ficado invisível! Uma vez por semana, ele repetia a mesma rotina: batia ponto, varria, limpava, catava mato, retirava o lixo e as pessoas que faziam parte da sua vida acadêmica continuavam a não perceber quem ele era, pois só percebiam a função e não o ser humano.

E por falar em ser humano, como considerar humana uma pessoa que joga o seu carro, de forma proposital, em cima de uma bicicleta e tenta matar uma mulher transexual que conduzia o seu filho de três anos, no momento em que ela o levava para a escola? Isto aconteceu recentemente em Belém, com Bárbara Pastana e seu filho Joaquim. Ela teve ferimentos leves e a criança teve o braço quebrado em três pedaços. Atitudes como a desse criminoso representam muito bem o que é a cultura do ódio e da intolerância!

Continuando na constatação do desrespeito e da intolerância, nem vou precisar listar as atrocidades que são diariamente cometidas nas redes sociais, onde de forma perversa pessoas são caluniadas, difamadas e desrespeitadas por terceiros, que nem as conhecem, mas divulgam informações a respeito das mesmas, mesmo sem ter a mínima referência da veracidade dos fatos; o que dizer das postagens e compartilhamentos de fotos de pessoas que morreram em circunstâncias de acidente, suicídio ou assalto, no momento do acontecido, demonstrando absurda insensibilidade à dor de seus familiares. Tudo isso é muito desumano!

Em contra partida, os gestos que representam compreensão, tolerância e amor são pouco divulgados. Vale a pena registrar a postura dos membros da Igreja Assembleia de Deus localizada na Av. Nazaré (esquina com a Dr. Moraes), no trajeto da procissão do Círio, que pelo quinto ano consecutivo auxiliam os romeiros oferecendo acolhida aos devotos, distribuindo café da manhã e água, além de disponibilizar o seu templo para acolher quem precise e, me parece que uma equipe da Cruz Vermelha fica localizada em suas dependências. Que exemplo maravilhoso de generosidade e amor ao próximo!

Nossa essência indica quem de fato nós somos, o que pode ser muito diferente do que aparentamos ser. É através da nossa maneira de ser, dos nossos atos, especialmente na forma como nos relacionamos com as pessoas que revelamos nossa essência . De que adianta alguém frequentar a Igreja todo o domingo e não cumprimentar o faxineiro do seu prédio? O universitário da USP deixou de ser reconhecido por todos quando estava vestido com uniforme de gari, ao tirar aquele uniforme voltava a ter visibilidade, o que demonstra que o contexto social em que vivemos também nos determina.

A gente sempre acha que se conhece, mas é através do olhar dos outros que aprendemos a nos conhecer melhor – “em cada um de nós há um outro que não conhecemos” (Jung). Assim, a nossa essência não é uma abstração, ela é reveladora de nossos valores e princípios e como ninguém consegue viver eternamente de aparências, as circunstâncias da vida acabam revelando quem de fato somos. É no respeito às diferenças que demonstramos nossa “humanidade” ou “desumanidade”, pense nisso!

 

 

 

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