“Nem te conto…”

 

A fofoca é algo que faz parte da nossa cultura. É um “hábito” adquirido desde os nossos ancestrais que a utilizavam como forma de preservação da espécie; eles precisavam se manter informados sobre tudo o que acontecia ao seu redor para tomarem decisões, fazerem escolhas e se manterem vivos         . Para eles, fofocar era um meio de sobreviver. Nós evoluímos como espécie, mas mantivemos o hábito de fazer fofoca sobre a vida alheia (uns muito mais do que os outros). Na verdade, é difícil, pelo menos não prestar atenção a um dito maldoso, comentado em tom de segredo por alguém sempre se referindo a uma pessoa ausente.

A mídia já descobriu isso, daí os altos índices de audiência dos reality shows, onde milhares de pessoas são capazes de passar horas na frente da televisão, vendo pessoas confinadas em uma casa, esperando por situações escandalosas, baixarias, tórridos romances… Sucesso de vendas, também, são as revistas que revelam a intimidade da vida de pessoas famosas (dramas pessoais, relacionamentos, como se vestem, quais os seus interesses e preferências…). E, quando se trata de alguém de origem humilde que conseguiu ter sucesso, prestígio, poder e dinheiro, o interesse torna-se maior ainda, pois o desejo é se apropriar de sua estratégia de vida e assim, quem sabe, também conseguir se tornar uma pessoa socialmente importante.

Atração pela fofoca

Mesmo que você não goste de fofoca e nem tenha interesse pela vida alheia, reconheça que é difícil sair de perto e não querer tomar conhecimento de algo que está sendo falado sobre uma pessoa conhecida. É quase que irresistível o impulso de falar e ouvir coisas sobre a vida dos outros. As notícias positivas não despertam tanto interesse quanto os comentários maliciosos e maldosos, que dão margem a julgamentos morais sobre alguém que, no entendimento de quem está fofocando, violou as expectativas do grupo.

Todos fofocam, mas as mulheres são mais fofoqueiras do que os homens. Pesquisas revelam que os homens, por serem mais competitivos, mostram-se mais interessados em questões financeiras e em habilidades sexuais dos rivais. Já as mulheres, adoram falar mal de outras mulheres, especialmente se forem da mesma faixa etária e estiverem envolvidas em alguma situação de infidelidade. No fundo, ao difamá-la muitas vezes, a intenção é a de afastar uma possível concorrente e a torná-la desinteressante para os outros homens, que costumam ter muito receio de virem a ser alvo de uma traição.

“A maldade dessa gente é uma arte”

A fofoca é uma aptidão social e funciona como forma de compartilhar informações, além de ajudar os grupos a funcionarem de forma harmoniosa, evitando as transgressões. Mas, algumas pessoas abusam dos comentários maliciosos e cruéis, às vezes sobre alguém que nem conhecem muito e, com isso, acabam expondo a pessoa ao ridículo e à rejeição, ou até mesmo usam a fofoca para se favorecerem às custa do desconforto do outro.

Ninguém é tão perfeito que não cometa erros. Quando alguém lança mão da fofoca, como um instrumento para tentar denegrir a imagem de outra pessoa, especialmente a custa de calunias e inverdades, acaba se expondo e revelando o quanto não é uma pessoa confiável. Além do que, como bem disse Jung, “tudo o que nos irrita nos outros pode nos levar a um melhor entendimento de nós mesmos”. Não se deixe levar pela raiva, inveja e rivalidade, usando a fofoca como forma de atingir alguém para se sentir melhor que ela (e). Evite contribuir para os efeitos danosos que a fofoca pode provocar nas redes sociais. Pense nisso!

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