Nem eu mesmo entendo o que eu escrevi!

                                As crianças e os jovens estão cada vez mais hábeis na utilização do computador, são tão velozes no teclado e descobrem tantas funções e possibilidades que até parece que já nasceram conectados na rede. Se por um lado isso é ótimo pois facilita absurdamente a vida escolar deles e os mantém ligados  ao que acontece no mundo, por outro lado, isso contribui para que eles tenham cada vez mais dificuldade na escrita. Muitos deles tem uma letra tão feia que nem eles mesmos entendem o que escreveram. Essa escrita incompreensível tem nome: DISGRAFIA.

Além da falta de hábito em escrever à mão, a ansiedade, o estresse, a pressa, o excesso de informações, a falta de tempo e a urgência da vida moderna também contribuem para o surgimento da Disgrafia. Mas, a escrita ilegível também pode ser sinal de um transtornos psicológicos como o Déficit de Atenção e Hiperatividade, Dislexia (um transtorno de aprendizado caracterizado pela troca de letras e enorme dificuldade de ler, escrever e compreender a escrita)… Fique atenta a escrita de seus filhos, em qualquer circunstância, saber escrever é algo necessário e imprescindível na vida de todo mundo.

Guerra aos garranchos

                               A geração que hoje tem mais de 40 anos, com certeza tem uma letra mais legível e bonita pois fizeram caligrafia, cópia e escreviam mais. Hoje, cada vez mais os alunos estão escrevendo menos pois grande parte dos textos são aportilados e os livros já vem acompanhados do caderno de exercícios; além disso, muitos exercícios e provas exigem que eles apenas façam um x na alternativa correta.

Quem tem letra ilegível entra em pânico em momentos pontuais em que precisam escrever como no vestibular. Na tentativa de que as pessoas que irão corrigir as redações e as provas entendam o que eles escreveram, como não conseguem escrever com letra cursiva, acabam gastando um tempo imenso para escrever em letra de forma, tempo esse que vai fazer falta na elaboração de melhores respostas. Muitos professores tem combatido a disgrafia e estimulado seus alunos a escreveram de forma legível pois além de ser necessário saber escrever, facilita a memorização e estimula o raciocínio.

Crie um hábito de escrever à mão

                               Você pode não saber mas uma série de atividades que aparentemente não tem nada a ver com o aprendizado da escrita, ajudam a criança a ter uma letra legível como por exemplo: atividades que envolvam a noção de espaço e a coordenação motora como pular corda, brincar de ioiô, jogar peteca; atividades domésticas que desenvolvam habilidades manuais; brincadeiras, jogos ou atividades que desenvolvam o tônus muscular e ajudem a coordenação motora (pega varetas, massinhas, jogos de encaixe, recorte, colagem, pintura…) Ah, aprender a segurar corretamente a caneta e o lápis é fundamental. Se seu filho apresenta um problema de disgrafia, talvez seja a hora de resgatar os antigos cadernos de caligrafia e também ajudá-lo a criar o hábito de escrever à mão. Não deixe de procurar ajuda especializada se as dificuldades persistirem.

Além de todos os benefícios de se exercitar a escrita, existe um que toca especialmente ao coração: é muito prazeroso a gente receber um bilhete de amor, um cartão de dia das mães escrito pelos nossos filhos (por isso a gente costuma guardá-los), uma mensagem carinhosa…em que  buscamos e sentimos a emoção contida em cada letra. Só consigo imaginar o Chico Buarque escrevendo a mão versos como “se entornaste a nossa sorte pelo chão. Se na bagunça do teu coração, meu sangue errou de veia e se perdeu”. Poesia precisa de suspiro e de toque.

Post Tagged with

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.