MEUS HERÓIS NÃO MORRERAM DE OVERDOSE!

Sempre achei muito interessante ler biografias das pessoas por quem tenho admiração ou interesse histórico. No caso das pessoas por quem tenho afeto e admiração tipo Chico, Vinícius, Tom, Gabo, Borges, Quintana, Drummond, Clarice, Chaplin… além de satisfazer uma curiosidade pessoal de fã e criar uma intimidade unilateral –  o que me deixa com a gostosa sensação de mais proximidade com eles, afinal de contas passo a conhecer detalhes importantes de suas vidas –  também obtenho informações privilegiadas sobre os por quês, onde, quando e de que forma aconteceram as histórias ali relatadas; como surgiram determinadas obras, quem as inspirou, seus desejos… Quantas histórias de superação, de paixão, de compromisso, de acertos, de erros, de amor e de vida em que ao lê-las aprendemos sobre algo de bom que nos ensine ou simplesmente faça a diferença na vida.

Todos nós convivemos com acertos e erros, conquistas e fracassos, dificuldades e facilidades, mas pouco de nós freqüenta a mídia, vira assunto de filme ou têm a sua vida retratada em um livro. As editoras publicam e divulgam o que consideram que vai atrair a atenção do público, pois precisam ter um retorno financeiro em seu empreendimento, o que é mais do que justo. O preocupante é o aumento crescente do interesse popular pelo desviante, pela desgraça, pelo infortúnio dos outros e que passa a ter uma conotação de “normalidade diferente”, parece que se precisa conviver com o “estranho”, com o “desviante” para poder se sentir normal.

O FENÔMENO AMY WINEHOUSE

Amy morreu no final de julho e já está à venda nas livrarias sua biografia. Além de ela ter sido uma cantora branca, que tinha uma voz maravilhosa e cantava como uma diva negra do soul, o que mais de produtivo e relevante aconteceu na vida dessa moça que mereça ser relatado? Que fazia uso abusivo de álcool e outras drogas como cocaína, heroína, ecstasy, anfetaminas…? Que ela era impulsiva, demonstrava muita dor na alma e vinha de tentativas recorrentes de suicídio? Que sua família de origem era totalmente disfuncional? Que sua vida amorosa era um caos? Que demonstrava ter uma auto-imagem desintegrada? Que em cada show tanto os fãs como a imprensa ficavam esperando o que ela “aprontaria dessa vez”?

Na verdade, Amy era portadora de uma patologia: o Transtorno de Personalidade Boderline, o que explica muito do seu funcionamento destrutivo, a sua dificuldade em experimentar e controlar emoções, a sua conduta muitas vezes hostil e anti-social, o seu envolvimento em escândalos e a sua falta de objetivos na vida, entre outras coisas. Sua vida conturbada era exposta nas canções como a que dizia: “tentaram me mandar para a reabilitação e eu disse não, não, não” ou “além disso, eu estou doente”. Enquanto isso Amy ia se acabando aos poucos, enquanto que seus fãs meio que sem se dar conta de nada, cantavam junto perversamente o “não, não, não” ou depositam garrafas de vodca em seu túmulo como uma última homenagem. Que horror!

OLHA SÓ O PODER DAS DROGAS

Circula na internet um email em que Amy aparece no início de sua carreira linda e radiante e, depois, com o corpo e a alma completamente maltratados pelo efeito das drogas. Esse foi o caminho mais curto para a sua destruição e, infelizmente, ela foi mais uma pessoa talentosa que se foi precocemente, em função das drogas e de uma vida totalmente desregrada.

Pois é, como a gente também aprende com os erros dos outros, eu espero que especialmente os nossos jovens não cultivem a idolatria pelo desviante e pela destruição e que saibam escolher como modelos de identificação pessoas que se empenhem na construção de um mundo melhor e inundem a nossa vida com sabedoria, encantamento, música e poesia.

 

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