MENTIRAS VIRTUOSAS.

             

           Todos mentimos, inclusive eu e você. Mentir é um recurso que usamos sem cerimônia como forma de facilitar as interações sociais. Muitas vezes, uma mentira pode ser necessária. Se, mesmo não gostando, fazemos um comentário positivo sobre a roupa de alguém, isso nos ajuda mais na convivência pacífica do que adotando a franqueza direta. Nem sempre precisamos falar tudo o que pensamos.

           A mentira tem uma função, serve a um propósito.  Mentimos para fazer o outro sentir-se bem, para escaparmos de uma situação embaraçosa ou de uma sanção, para nos valorizarmos, para evitar brigas e mágoas, para preservar nossa privacidade, para justificar nossas falhas, para proteger outras pessoas, para sermos aceitos e amados. Quando as mentiras, além de não causarem danos, ajudam a harmonizar as relações interpessoais, podem ser aceitáveis. Essas são as mentiras virtuosas.

           Mentir é um talento e sinal de inteligência social, mas trapaças com o intuito de lesar alguém, de obter alguma vantagem pessoal sempre devem ser repudiadas.            

Dizem que a mentira tem pernas curtas, mas ela tem caminhado muito e, às vezes, até corre, caso típico dos mentirosos compulsivos que nunca se exaurem dessa prática.

Até os cinco anos de idade as crianças são “pura sinceridade”. A família e demais adultos com os quais elas se relacionam – em nome da boa educação – acabam sendo orientadas a não falarem a verdade. em determinadas situações. Para nós adultos é imperioso que as crianças sejam gentis.  

            Para as “mentiras virtuosas” do cotidiano, é recomendável ter bom senso e tentar explicar o porquê de lançarmos mão desse expediente e em que momento a mentira é “tolerável”. É necessário termos clareza do que a mentira pode significar e quais suas consequências.

            Mentira e verdade estão sempre presentes na intimidade do psiquismo e em nosso desenvolvimento. A verdade é à base da sanidade mental. Mentimos para os outros e também praticamos o autoengano, tudo para justificar nosso comportamento desviante.

            Mario Quintana, poeticamente diz, que “a mentira é uma verdade que esqueceu de acontecer”. Uma fantasia planejada pode ser perigosa quando substitui a realidade. É preciso ter coragem e autoconfiança para optarmos pela verdade. É ético respeitar os limites no relacionamento com as outras pessoas.                                              

          Apesar de admirar Cazuza, mentiras sinceras não me interessam! Não quero pequenas porções de ilusões. Prefiro falar e ouvir verdades. Que elas sejam ditas de forma amorosa, com cuidado, carinho e que venham impregnadas de afeto. É isso que me a faz crescer.

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