Mentiras sinceras lhe interessam?

 

Todo mundo mente, inclusive eu e você também. Mentir é uma habilidade que usamos sem cerimônia e  lançamos mão dela como forma de facilitar as interações sociais. Muitas das vezes, uma mentirinha necessária sobre a roupa de alguém ajuda mais na convivência pacífica do que a franqueza direta. Não precisamos falar tudo o que pensamos.

A mentira tem sempre uma função, serve a algum propósito. Assim, mentimos para fazer o outro se sentir bem, para escaparmos de uma situação embaraçosa ou de uma sanção, para nos valorizarmos, para evitar brigas e mágoas, para preservar nossa privacidade, para justificar nossas falhas, para proteger outras pessoas, para sermos aceitos e amados … Em fim, quando as mentiras são inofensivas e ajudam a harmonizar as relações interpessoais no cotidiano, são aceitáveis e funcionam sem provocar prejuízos a terceiros.

Mentir é um talento e um sinal de inteligência social, mas as trapaças com o intuito de lesar alguém, de tirar vantagem (típica dos casos de corrupção) devem ser repudiadas, sempre!

Dizem que a mentira tem pernas curtas, mas ela tem caminhado muito, as vezes corre (é o caso dos mentirosos compulsivos) e parece que não se cansa.

 

A GENTE APRENDE A MENTIR ?

 

Até os 5 anos de idade, a criança é “pura sinceridade” e nós adultos (família e demais pessoas com quem a criança se relaciona) em nome da boa educação, acabamos as orientando a não serem verdadeiras em determinadas situações, pois precisam ser gentis.E lá vai a criança agradecer pra tia o presente que ganhou de aniversário, embora o tenha detestado.

E quando toca o telefone e por um motivo qualquer não queremos atender, e pedimos pros nossos filhos dizerem que não estamos, ou quando justificamos pra outra pessoa  , na presença deles, que não fomos a um determinado evento por que estávamos acamados com gripe ,o que não é verdade, nós os estamos ensinando a mentir. É isso mesmo, nós ensinamos as crianças a mentirem, pois somos exemplos para elas. As crianças aprendem, também, através da observação.

Para as mentiras “úteis” do cotidiano, o jeito é ter bom senso e tentar explicar o por que lançamos mão desse recurso e em que momento a mentira é “tolerável”. É necessário termos clareza do que  a mentira pode significar e quais suas conseqüências.

MENTIRAS QUE APARECEM VERDADES

 

A mentira e a verdade estão sempre presentes na intimidade do psiquismo e no curso de nosso desenvolvimento, sendo que a verdade é a base da sanidade mental. Mentimos para os outros, mas mentimos também pra nós mesmos, como forma de aceitar nosso comportamento desviante, e muitas vezes passamos a acreditar na história inventada. Isso parece tão absurdo, como roubar dinheiro da nossa própria conta bancária.

Mario Quintana, poeticamente diz, “que a mentira é uma verdade que esqueceu de acontecer”. Uma fantasia planejada pode ser perigosa quando substitui a realidade. É preciso ter coragem e auto-confiança para fazer a opção pela verdade.É ético respeitar os limites que precisamos ter no relacionamento com as outras pessoas.

Realmente mentiras sinceras não me interessam! Não quero pequenas porções de ilusões. Prefiro falar e ouvir verdades. Que elas sejam ditas de forma amorosa, com cuidado, com carinho , que venham impregadas de afeto e me ajudem a crescer. E você?

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