Esquizofrenia: “A doença do espírito dividido”

 

A novela “Caminho das Índias” trouxe à tona a discussão, tão necessária, acerca das doenças mentais, ao retratar o drama vivido por Tarso (personagem de Bruno Gagliasso), um jovem esquizofrênico que acredita existir um conluio para “cloná-lo” e destruí-lo e por isso implantam um chip no seu corpo.

Os principais sintomas do transtorno são: a perda do interesse por tudo (escola, diversão, amigos), apatia, dificuldade de concentração, angustia, falta de cuidados com a higiene pessoal, irritação, isolamento (tranca-se no quarto e arruma todas as desculpas possíveis para não sair de casa). Até então, os sintomas anteriores citados se confundem com a falada crise da adolescência.

Mas, a avaliação do quadro muda a partir do momento em que, ao ser cobrado (a) para que retome a sua vida, ele(a) resiste, por acreditar que as pessoas lá fora riem dele(a), comentam a seu respeito e querem prejudicá-lo(a), além de afirmar ouvir vozes que tentam controlar seu pensamento e lhe dão ordens. Neste caso, procure imediatamente atendimento especializado, pois ele (a) pode estar desenvolvendo um quadro de esquizofrenia, um transtorno mental crônico que atinge cerca de 1% da população mundial e, normalmente, se manifesta na adolescência ou no início da idade adulta.

Afastamento da realidade

Os sintomas da esquizofrenia variam de pessoa para pessoa, bem como o ritmo de evolução da doença. Além da apatia, desinteresse pela vida, isolamento social, dificuldade de concentração e de aprendizado, o(a) doente tem dificuldade em expressar seus sentimentos ou demonstra-os de forma inadequada. Sente-se estranho por dentro e muito desconfortável com relação ao seu próprio corpo.

Durante a fase aguda se manifestam os delírios (pensamentos ou crenças que não correspondem a realidade), sendo o mais comum o de sentir-se vigiado e perseguido por pessoas ou seres sobrenaturais que querem destruí-lo e as alucinações (vê e ouve coisas não presentes), que o(a) levam a escutar vozes criticando o seu comportamento e dando-lhe ordens. Também é capaz de ter condutas muito bizarras como fazer caretas, conversar com alguém que só ele (a) vê e até mesmo tirar a roupa na rua.

O(a) portador(a) de transtorno vê e vive a realidade de uma forma totalmente diferente das outras pessoas. A dificuldade em viver no mundo real é tanta que ele se refugia em um mundo imaginário, onde ele (a) tenta realizar seus desejos; o problema é que nesse mundo também habitam os seus perseguidores, que tanto o ameaçam e não lhe deixam ter paz.

Possibilidade de reintegração social 

Os surtos maltratam muito a vida dos pacientes e seus familiares: acaba com relacionamentos, impossibilita as pessoas a continuarem exercendo suas profissões, expõe o doente a situações agressivas, podendo colocar em risco a vida dele (a) – de cada dez pacientes, quatro tentam o suicídio –  e a dos outros. Depois que os surtos cessam ficam as lembranças torturantes de tudo o que aconteceu e o medo de que uma nova crise aconteça. Um bom ajustamento familiar e a presença afetiva e efetiva da família no tratamento são de fundamental importância para que se consiga deter o curso da doença. Como o componente genético é muito presente na determinação da esquizofrenia, fique muito atento (a) à saúde mental dos seus filhos, caso haja outros casos do transtorno em sua família.

A esquizofrenia é uma doença que não tem cura, mas quanto mais cedo for diagnosticada e tratada aumentam as chances de se controlar os sintomas e promover a reintegração do paciente à sociedade.

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