Entre dois amores…

                               Na novela Passione, que terminou recentemente, o personagem Berilo formava um triângulo amoroso muito divertido com Agostina (sua primeira esposa, italiana, por quem nutria um amor puro e calmo) e com Jéssica (sua esposa brasileira, tendo com ela uma relação intensa, agitada e com forte apelo sexual) e que dividiu opiniões e oportunizou a discussão de um fato difícil de ser admitido, mas que acontece na vida real: a constatação de que pode se amar duas pessoas ao mesmo tempo.

Não vou entrar no mérito da discussão da bigamia (um crime) e nem das mentiras e confusões do Berilo (terríveis do ponto de vista relacional) e sim pegar carona no personagem para mostrar que é absolutamente possível se amar duas pessoas ao mesmo tempo; que não é verdade a premissa de que se o amor por uma delas fosse verdadeiro, ele não conseguiria amar a outra; e que ao amar duas pessoas o sofrimento em ter que fazer uma escolha é real. Cada amor é único e diferenciado e com cada pessoa a vinculação pode se dar de forma diferente.

Sentimentos x Normas sociais

                               Ninguém gosta de admitir, mas é absolutamente possível se amar mais de uma pessoa ao mesmo tempo e se alguém tem dúvida e fica dividido sem saber que escolha fazer, como o Berilo, provavelmente é porque ama as duas pessoas. Nós vivemos numa sociedade monogâmica, mas não somos monogâmicos por natureza e sim por determinação social. Por um acaso, você aceitaria que o(a) seu(sua) parceiro(a) se envolvesse amorosamente com outra pessoa além de você? Por certo que não!

Não importa qual seja a natureza do vínculo amoroso, mas cada pessoa tem um amor que é só dela. Assim, nós amamos nossos filhos de forma diferente, amamos nossos amigos de forma diferente, amamos nossos irmãos de forma diferente, amamos nossos pais de forma diferente e também amamos cada pessoa com quem nos relacionamos, namoramos e casamos, de forma diferente. É um erro atroz alguém ficar fazendo comparações de como a pessoa era com a outra namorada e de como é com ele (a), pois, além de todos nós termos a capacidade de avaliar erros, corrigir posturas e passar a ter atitudes diferenciadas, como frutos do aprendizado proporcionados pela vida, também as características pessoais do outro interfererm em nossa forma de funcionamento.

A vida é a arte de fazer escolhas

                        È, mas na vida real, no caso de alguém estar muito envolvido amorosamente com duas pessoas ao mesmo tempo, o desfecho dessa história certamente não será surreal como o encontrado pelo autor da novela, em que Berilo se revezará oficialmente entre suas duas mulheres: as segundas, quartas e sextas ele ficará com uma, as terças, quintas e sábados com outra e no domingo descansará.

Fazer escolhas é quase sempre difícil, escolher entre dois amores mais ainda. Ao optar por um (a) você estará renunciando a possibilidade de convivência com o (a) outro (a), o que é vivido como uma perda. Além disso, as pessoas verdadeiras e transparentes não conseguem viver fingindo e mentindo e sofrem ao ter que esconder seu amor por outra pessoa. Normalmente a (o) outra (o), por ter entrado depois na vida de alguém que já tinha um relacionamento amoroso anterior, é quem sabe de tudo, tendo a oportunidade de discutir a relação e de tentar se valorizar nesse contexto. Ao (a) esposo (a) resta ser o último (a) a última a saber, o que é uma deslealdade muito grande. Em qualquer circunstância, se envolver amorosamente com duas pessoas ao mesmo tempo é garantia certa de sofrimento, possivelmente para os três. Valorize e respeite a pessoa que está dividindo a vida com você. A vida é a arte de fazer escolhas, fique muito atento tanto ao que lhe pede o seu coração como ao que lhe manda a sua razão antes de fazê-las.

 

 

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