É MEU, LARGA!

Quem tem mais de um filho já sabe que o seu dia-a-dia vai ser pontuado e perturbado pelas constantes brigas entre eles, que conseguem começar um embate pelos mais diversos e variados motivos: pelo amor da mãe, pela atenção do pai, pela posse e uso dos brinquedos, pelo tempo em que passam no videogame e no computador, pelo programa que vão assistir na televisão, pelo tamanho da fatia de bolo, pelo direito de escolher o filme na locadora, para ver quem vai tomar banho primeiro, ou seja, brigam por nada e por tudo.

O certo é que, diferente do que pensam os pais que costumam se incomodar absurdamente com a desavença dos filhos, a briga entre as crianças, além de ser saudável (desde que não inclua atos de agressividade e violência), é essencial para que elas aprendam a lidar com limites, a delimitar espaços, a se tornarem independentes, a reconhecerem o que é seu e o que é do outro, a negociarem desejos e a lidarem com perdas e ganhos da vida.

EMBATE ENTRE IGUAIS

 A lógica de funcionamento dos filhos com relação ao poder é quase sempre igual em todas as famílias: os mais velhos tentam se impor e mandar nos mais novos, enquanto que os mais novos tentam sempre se fazer de coitadinhos e de vítimas e ambos, de uma forma ou de outra, tentam tirar proveito da situação. Mas, isso tudo não acontece por acaso, eles aprendem a funcionar assim com os pais que, no dia-a-dia, reforçam a crença de que o filho mais velho tem que servir de exemplo para o caçula, então, ele acha que tem o poder de mando sobre o irmão mais novo e esse jogo de poder só perde a graça quando os pais apelam e intercedem em favor do menor “empresta pro teu irmão, meu filho, ele é menor que você”.

Quando a diferença de idade entre eles é muito grande é até natural que o filho mais velho também se sinta responsável pelo irmão e interfira na educação dele, tomando atitudes no sentido de ajudar a cuidar dele, corrigi-lo e protegê-lo na ausência dos pais, mas essa tarefa deve cessar quando os pais se fazem presentes, pois o papel de criar e educar os filhos é prioritariamente dos pais, eles sim tem o poder de decidir, mandar e cobrar condutas.

EVITE TOMAR PARTIDO

As crianças, diferentemente dos adultos, têm uma capacidade de desconhecer rapidamente os motivos de uma briga, por isso fazem as pazes com a maior naturalidade do mundo. Podem travar uma discussão ou briga por causa de um brinquedo e, de repente, surge um “tá bom, pode brincar com ele”, sem que nenhum adulto tenha interferido na questão. E, mesmo que haja disputa física, muitas vezes ela ocorre porque eles ainda não sabem verbalizar suas emoções e termina saindo um “chega pra lá”, mas a intenção não é a de ser violento com o outro.

De um modo geral, quando as brigas ocorrerem, deixe primeiro seus filhos tentarem se entender. Tente manter uma postura de neutralidade diante dos apelos das crianças de buscarem a sua ajuda (eles sempre tentam nos envolver). Não tome partido e nem procure o culpado, se eles estão brigando a responsabilidade pelo que está acontecendo, em princípio, é dos dois. É claro que, se a diferença de idade e de tamanho entre os dois for considerável e a intenção do mais forte for a de agredir por raiva ou maldade o irmão que não dispõe de recursos físicos para se defender, interfira imediatamente, não permita que isso aconteça e converse com os dois sobre o que está ocorrendo. No mais, deixe que eles se entendam e aprendam a negociar espaços, objetos e desejos.

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