É Círio em nós!

É Círio mais uma vez, nossa alma se ilumina e nosso coração transborda de amor para homenagear nossa padroeira, Nossa Senhora de Nazaré. Dessa vez, será um Círio diferente, pois em função da pandemia da Covid-19, pela primeira vez em 228 anos de história, o Círio não vai acontecer nas ruas e sim na casa da gente, pois como uma mãe amorosa, Nossa Senhora está preocupada com a saúde dos seus filhos e não gostaria de vê-los expostos a um risco de contaminação desnecessário. Além do que, nossa Mãezinha sabe que buscaremos outras formas para ficarmos perto dela e homenageá-la.

 Será um Círio diferente: sem as tradicionais procissões de rua; sem a berlinda percorrendo a cidade e nos levando às lágrimas pela emoção em vê-la e senti-la ainda mais perto de nós; sem a corda para os penitentes que desejam agradecer o alívio das dores, as curas e as graças alcançadas; sem as crianças-anjos que acompanham curiosas todo aquele barulho e movimento, algumas até sem entender direito o que estão fazendo ali, se assustando com o barulho dos fogos, mas gostando muito do colo emocionado dos pais; sem o mar de gente que atravessa rios, mares e estradas para vê-la, tomar sua benção, agradecer pela vida e pedir proteção.

Nossa Mãezinha mudou sua forma de se fazer presente, não vai transitar pelas ruas: pela manhã, vai visitar alguns hospitais na região Metropolitana de Belém e vai ficar no altar central da Praça Santuário a partir das 17:00h do domingo, dia 11 e segue até o dia 25 de outubro no horário das 12h às 22h. As celebrações das missas e terços acontecerão de forma virtual, mas nossa Nazica nos pede que continuemos em preces e orações em nossas casas, com familiares e amigos. Ela nos protege sempre, todos os dias do ano, mas espera que continuemos fazendo a nossa parte: precisamos continuar usando máscaras, usando álcool em gel e evitando aglomerações.

A grande festa do povo paraense, como é nosso costume, sempre foi marcada pelo acolhimento e pelo amor ao próximo. Que a gente se lembre de rezar e de ter ações, hoje e sempre, visando proteger os índios que estão sendo expulsos das suas terras; os negros, os homossexuais, os transexuais, os travestis, as mulheres e as crianças que estão sendo agredidos, perseguidos, abusados sexualmente e mortos, vítimas que são da intolerância e da falta de respeito às diferenças; as pessoas que estão desempregadas e não têm como sobreviver; os doentes e enfermos; as nossas florestas que estão sendo queimadas; a todos os excluídos e a humanidade para que encontre o caminho do amor e da paz.

 Nossa Senhora de Nazaré, mãe da nossa humanidade, que a gente se inspire no teu exemplo de amor e aprenda contigo, a respeitar às diferenças, a exercitar o afeto e a solidariedade, e que nos empenhemos na construção de dias melhores para nós e para o nosso povo. E “que de novembro a setembro eu quero fazer de outubro o que ainda será. Belém da reza cabana Belém, sei que teu Círio é mais que canção. Vejo teus filhos fazerem de outubro a hora da hora da arrebentação” (lindíssima música-poema de Emanoel Matos e Alcyr Guimarães).

Viva Nossa Senhora de Nazaré! Feliz Círio a todos nós!

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