DO MAU HUMOR AO MAL DO HUMOR”

Fala sério, imagine o inferno que é conviver com uma pessoa que passa o dia inteiro irritada; reclama de tudo e de todos; vive de “cara amarrada”;  só percebe o lado negativo da vida; se isola e não sente prazer em nada! Você conhece alguém assim? Se conhece, aposto que o acha um “mala”, um chato, um baixo-astral e, sempre que possível, foge da companhia dele. Pois é, mas pode ser que ele não seja simplesmente “um mala” e sim que esteja doente e precisando, inclusive, da sua ajuda.

Ficar irritado, de vez em quando,  no decorrer do dia, em função do ritmo acelerado e das urgências da vida (barulho, trânsito, filas…) é absolutamente normal e acontece com qualquer um de nós. Agora, se alguém apresenta um humor deprimido grande parte do dia, quase todo dia, há pelo menos dois anos consecutivos, pode estar sofrendo de Distimia, um transtorno depressivo de natureza crônica (com gravidade menor que a depressão), que atinge de 3% a 5% da população mundial. A pessoa apresenta pouca tolerância com o mundo (sua auto-estima é baixa e a autocrítica é alta) e não consegue ter alegria e entusiasmo pela vida. Assim, o mau humor pode ser um dos sintomas do mal do humor.

O MAU HUMOR É CONTAGIOSO

A Distimia pode ocorrer desde a infância (são aquelas crianças brigonas, mal humoradas, rejeitadas pelos coleguinhas), embora seja mais comum que seu início se dê na adolescência ou no início da vida adulta. Fatores biológicos, psicossociais e genéticos influenciam na ocorrência da doença. Apesar de ser considerada um transtorno depressivo de menor intensidade, provoca muito sofrimento, não só ao distímico, mas a todos que convivem com ele e têm que lidar com o desconforto de sua irritação constante. Saiba que tanto o mau humor como o bom humor são contagiosos!

As pessoas que sofrem de Distimia desde a infância ou adolescência, acreditam que esse é o seu jeito de ser e um traço de sua personalidade (a maioria dos familiares e amigos também pensam assim) e, portanto, não procuram ajuda. Além do que, fica difícil de perceber que é doença, porque os distímicos costumam ser muito produtivos no trabalho (a doença compromete a sua capacidade de ter prazer no que faz), embora dificilmente sejam indicados para um cargo de chefia em razão da sua dificuldade em se relacionar com os outros. A maior dificuldade tem sido a de as pessoas se conscientizarem de que isso é uma doença e que pode ser tratada.

“A TRANQÜILIDADE NA ALMA”

O mau humor não é a única resposta para as circunstâncias desfavoráveis da vida. Até que me provem ao contrário, eu continuo acreditando que nós todos nascemos para ser amados e felizes e não para vivermos isolados e tristes. Assim como as pessoas que vivem de bem com a vida se destacam e atraem coisas boas para a vida delas, os mal humorados provocam efeito contrário, a rejeição.

O diagnóstico correto de Distimia deve ser feito por um especialista, pois nem todo mal humorado é distímico. Em qualquer circunstância, o mau humor compromete a saúde e faz com que a pessoa tenha uma visão distorcida do mundo. No caso dos distímicos, o tratamento os ajudará a controlar seu mau humor constante para que eles possam ser menos críticos, terem tranqüilidade na alma, descobrirem e viverem os prazeres da vida. Até quem sabe, aprendam a viver e a decretar “… que todos os dias da semana, inclusive as terças-feiras mais cinzentas, têm direito a se converter em manhãs de Domingo”. Beijos e sorrisos  a todos os nossos leitores da Troppo.

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