DÉJÀ VU: UMA ESTRANHA SENSAÇÃO

Já aconteceu com você, alguma vez, a sensação de ter visto ou vivido algo, que você está vendo/vivendo pela primeira vez, mas que lhe parece absolutamente familiar, embora você tenha certeza que é impossível ter acontecido antes? O nome desta sensação é déjà vu, um termo originário do francês e que quer dizer “já visto”. Cerca de 70% das pessoas admitem ter vivido, pelo menos uma vez na vida, um episódio assim.

Mesmo sabendo que era a primeira vez que estava conhecendo uma cidade; visitando um museu; fazendo um passeio de barco; almoçando em um restaurante; caminhando por uma estrada, entrando em um ambiente qualquer; conhecendo pessoas… mas, tudo lhe parecia muito familiar. Às vezes, até conseguia “lembrar-se” de imagens, detalhes, seqüências de objetos, rostos de pessoas… e, por alguns segundos, chegou a duvidar da realidade “eu não estive aqui antes? Eu já convivi com essas pessoas?”. É uma estranha sensação em que você “lembra” de eventos ou fatos que nunca aconteceram, mas o sentimento é o de que aconteceram.

REALIDADE QUESTIONADA

Até hoje, a ciência não encontrou nenhuma explicação definitiva para o assunto. O déjà vu é um fenômeno difícil de ser estudado porque nunca se sabe quando vai ocorrer. Sabe-se que: é mais provável que ocorra em situações em que a pessoa esteja muito cansada e com a atenção prejudicada (embora também possa ocorrer em situações de total relaxamento); ocorre com mais freqüência com pessoas na faixa etária de 15 a 25 anos; tem a duração de 10 a 30 segundos e não tem nada a ver com falsas memórias, vidas passadas, alucinações, reencarnações ou qualquer fenômeno místico. Por isso, quase todos os estudos são baseados em relatos das pessoas que já experimentaram essa sensação.

O mais provável é que ao ouvir, ver, cheirar ou experimentar algo, sua memória aciona uma sensação que você associa com algo vivenciado anteriormente: um episódio passado, com características similares e que desperta um sentido de familiaridade, pois o cérebro produz fatos semelhantes à realidade e que você, erroneamente, vincula a situações do presente. Por isso, na hora em que ocorre, duvidamos da realidade por um momento, mas isso dura poucos segundos até que outros dados de realidade nos conduzam de volta ao presente. Outras pesquisas atestaram fatores biológicos:verificaram que pessoas com epilepsia do lobo temporal, um pouco antes de ter um ataque, experimentam uma sensação forte, similar ao déjà vu.

LEMBRANÇAS E MEMÓRIAS

Algumas vezes podemos ficar em dúvida se já fomos apresentados a algumas pessoas, já lemos um determinado livro, assistimos certos filmes (podemos até pagá-los mais de uma vez na locadora) e isso acontece porque nossa memória às vezes falha, o que é muito diferente da sensação de déjà vu, onde o sentimento é de inquietação e estranheza, não de dúvida.

Como outros termos, o déjà vu saiu dos estudos da ciência e passou a ser usado no senso comum, com o sentido de “eu já vi isso antes”, sendo usado na política, nos relacionamentos amorosos… Também é usado, quando conhecemos uma pessoa há pouco tempo e nos encantamos com tal intimidade e proximidade… aí nos apaixonamos. Zerka Moreno, uma poetisa maravilhosa, tem um poema com este título “Déjà vu” – “Não é verdade que nos conhecemos a algumas semanas. Nós nos conhecemos há muito, muito tempo. Não há provas disso, mas eu sinto que é assim…”. De memórias, lembranças, sensações e sonhos também se vive.

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