CONVIVÊNCIA COM A DIFERENÇA

     Quando alguém na família passa a apresentar comportamentos estranhos e diferentes, como isolamento,  confusão mental, agressividade, não assume responsabilidades, não cuida de si e expressa ideias  fora da realidade, essa é uma situação que requer cuidados especiais. A família,  atônita e insegura, começa a elaborar explicações para o que está acontecendo: infantilidade, preguiça, “esperteza” (não quer fazer nada), falta de responsabilidade ou, quem sabe, até mesmo um problema espiritual . O mais provável é que a pessoa esteja apresentando um quadro de transtorno mental e  precisando de ajuda especializada.

     Os transtornos mentais continuam pouco compreendidos e, menos ainda, aceitos socialmente. É demasiado o preconceito, embora a doença esteja presenta na vida de muitas famílias. No Brasil, na década de 1980, foi que os “doentes mentais” (eram assim nomeados) deixaram de ser internados em instituições psiquiátricas, onde ficavam isolados de tudo e de todos (inclusive da família). A visão que se tinha era  que eles representavam um perigo para as outras pessoas (ditas normais). Quando passaram a receber cuidados, em contato diário com a família,  o tratamento tornou-se mais humanizado e apresentou resultados muito melhores.

     Sabemos que a família é fundamental  para a saúde mental de seus membros. Para conseguir  melhorar o quadro de saúde, é necessário que se crie condições para a expressão de emoções (raiva, agressividade, tristeza, alegria, carinho, afeto…) e que haja interação entre todos os seus membros . A comunicação deve ser aberta e objetiva. É importante que a estrutura e a organização familiar sejam flexíveis, que haja troca de afeto. Agressões não podem ser parte da rotina das pessoas. O que caracteriza uma família saudável não é a ausência de conflitos mas, sim, a busca de alternativas para a solução dos problemas.

     Em um ambiente familiar onde imperam desarmonia, agressões (físicas e verbais), ódio, conflitos intensos e culpas, contribui tanto para o aparecimento quanto para o agravamento dos transtornos mentais. Um ambiente saudável precisa ser um local seguro, satisfazendo as necessidades básicas de afeto, proteção, disciplina e comunicação.

     Conviver com as diferenças requer habilidades especiais que a família não costuma ter, até porque não foi preparada para isso. Quando a crise se instala, a família vive um sofrimento intenso, sente-se desesperançosa em relação ao futuro e, muitas vezes, permite que o doente faça o que quiser, pois tem medo de contrariá-lo e, assim, agravar ainda mais o seu quadro.

     Não é fácil lidar com a doença. A pessoa portadora de transtorno psiquiátrico é discriminada, alijada do convívio social e perde a sua condição de cidadã. O tratamento precisa incluir mais ativamente a participação da família para que se amplie a compreensão da dinâmica relacional, se crie uma disponibilidade para cuidado, carinho, e se estabeleça uma cultura de solidariedade que possibilite a inclusão social, o resgate dos direitos e da dignidade do portador do transtorno mental. Faça parte dessa rede de afeto e solidariedade.      

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