“COMEÇAR DE NOVO E CONTAR COMIGO”

Terminar um relacionamento amoroso é um processo difícil, delicado e na maioria das vezes sofrido. Um dia, você percebe que aquela não foi só mais uma briga entre vocês; que o encantamento acabou; mas, mesmo assim, é difícil perceber e admitir o fim, principalmente porque custamos aceitar que algo de muito bom (amor, paixão, carinho…) não exista mais… “Aquela esperança de tudo se ajeitar, pode esquecer”. Parece que nós precisamos que um fato real aconteça, como uma traição por parte do(a) parceiro(a), para que possamos colocar o carimbo ACABOU.

Quase sempre, o amor não acaba na mesma hora para os dois e, sendo assim, alguém termina tendo a coragem de dizer não quero mais e o outro, o que ouve o não, se sente rejeitado, preterido, sozinho… As mulheres, como sempre, subvertendo os rumos da história, têm pontuado, com mais freqüência, não só o não quero mais, como também, falam mais da sua insatisfação (é, temos essa estranha mania de falar de sentimentos e emoções). Muitos homens, têm dificuldade em terminar um relacionamento por ter que lidar com a culpa pelo abandono… O certo é que não vale a pena manter um relacionamento apenas pelo comodismo ou medo da solidão.

 

TERMINA QUANDO ACABA

 

A vida a dois nos mostra, claramente, quando a relação deixa de ser saudável. Isto acontece quando o desamor, o desrespeito e a falta de cumplicidade se instalam; quando não há o mínimo interesse em se criar oportunidades para o estar juntos; quando se perde o interesse sexual; quando há dificuldades imensas na comunicação; quando não se importa mais com afetos, emoções e necessidades; quando as desqualificações são constantes; quando o(a) outro(a) passa a ser referência de sofrimento e a vida se torna pesada; quando se  vive a solidão a dois…

Mesmo com tudo isso acontecendo ainda é muito difícil partir, principalmente pelo inconformismo das lembranças em que “nas travessuras das noites eternas: já confundimos tanto as nossas pernas. Diz com que pernas eu devo seguir…”. Como isso tudo se perdeu? Não adianta buscar culpados, isto só aumenta a dor, o sofrimento e cria impossibilidades. A responsabilidade pelo término é dos dois. O rompimento representa o fim de um ciclo e a confirmação de que o amor existiu, que você viveu uma história de amor… mas acabou!

 

NO TEMPO DA DELICADEZA

Lidar com perdas amorosas é lidar com uma das dores mais difíceis de serem vividas – a rejeição, especialmente se os vínculos amorosos foram idealizados como sendo eternos e por conta disso se deixou de investir na relação (aí vem a culpa). Na verdade, ambos os parceiros convivem com a perda de um sonho de felicidade comum e com a sensação de que fracassaram. Analisar a responsabilidade de cada um, avaliar os motivos do término, permitir-se a conectar com seus sentimentos e dar um tempo para a dor se acalmar é o caminho para que a separação ocorra de forma ética, superando mágoas e ressentimentos e preservando lembranças positivas.

Não existe receita para se lidar com a dor,  mas algumas condutas costumam ajudar: retome a sua vida social; procure o aconchego dos amigos e parentes; evite contato com o ex-parceiro(a), pois é preciso um tempo para que uma relação, que antes era de amor, se transforme em amizade ou até mesmo em indiferença; aproveite o estar só para você fazer o que lhe dê prazer; dedique-se ao seu trabalho… Cada pessoa tem o seu ritmo próprio e um tempo diferente para se recuperar do amor que caiu doente pra sempre. Um tempo onde a gente possa “se desvencilhar da gente” e talvez se encontrar num outro momento, “talvez no tempo da delicadeza…”.

 

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