COLIVING: UMA NOVA FORMA DE MORAR

 

Você já ouviu falar em coliving ? Bem, esse é um termo ainda pouco conhecido no Brasil e é usado para designar casas compartilhadas. Muito mais do que um termo, o coliving representa uma nova forma de morar: a proposta é a de reunir pessoas que desejem viver em comunidades urbanas, onde direitos e responsabilidades sejam compartilhadas por todos.  Essa ”prática” é muito popular há tempos nos Estados Unidos e na Europa, mas só em 2013 chega de forma mais consistente no Brasil (em São Paulo e Rio de Janeiro) e, a perspectiva é a de que cresça e se fortaleça como um estilo de vida.

A decisão de experimentar viver em uma casa compartilhada representa muito mais do que a responsabilidade em dividir espaços e despesas, o coliving expressa o desejo de partilhar vida e se viver em comunidade. Assim, ao morar junto, as pessoas compartilham experiências, estabelecem vínculos de cooperação e parceria e, de forma coletiva, buscam soluções de sustentabilidade. E vejam bem, essa é uma proposta muito arrojada se levarmos em conta que vivemos em uma sociedade acostumada a reconhecer valores individuais,  premiar o sucesso e valorizar o acúmulo de bens materiais.

As regras de funcionamento são específicas de cada coliving, mas, de um modo geral, cada pessoa tem o seu quarto individual e as áreas comuns (copa, cozinha, sala, lavanderia, jardim…) são usadas por todos. As tarefas domésticas e as despesas com a manutenção do imóvel são responsabilidade do coletivo; existe uma gestão consensual de funcionamento da casa, as decisões são tomadas em reuniões e os problemas e divergências são resolvidos de forma amigável. Como a proposta é a de buscar a sustentabilidade, atividades culturais são realizadas e a renda arrecadada é revestida na manutenção da casa ou na compra de algo que seja do interesse de todos.

Troca de experiências, economia de recursos, divisão de tarefas e a participação de todos no processo de decisão tem norteado a vida de todos os membros do coliving.  Isso é muito diferente de se morar numa república, dividir apartamento com os amigos estudantes ou alugar quartos na sua casa; o que diferencia essa proposta é o desejo claro de se viver em comunidade e partilhar vida – o outro sempre funciona como meu espelho e, entender isso, permite que as pessoas cresçam e amadureçam.

A nossa existência enquanto espécie foi garantida pelo fato de que nossos ancestrais entenderam que precisavam se unir para garantir a sobrevivência deles e nós, já descobrimos há muito tempo, que devemos nos empenhar para que tenhamos uma boa qualidade de vida. Nesse sentido, a proposta de se viver em comunidades urbanas pode ser algo muito interessante, mas as pessoas precisam ter a alma livre e o coração aberto para acolher e receber o outro, por isso, eu acredito que o sucesso dessa prática vai depender da seleção das pessoas e do compromisso delas em uma vida comunitária.

Além disso, a solidão nos grandes centros urbanos tem atormentado a vida de muita gente, quem sabe a filosofia do coliving não seja uma forma prática de simplificar a vida, crescer juntos e partilhar espaços, culturas e afetos. De qualquer forma, cabe aqui uma reflexão do quanto estamos nos isolando nos nossos quartos, o quanto as áreas comuns da nossa casa estão sendo pouco utilizadas e o quanto deixamos que o individualismo se sobreponha aos interesses da família como um todo. Pense nisso?

 

 

 

 

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