“Cada dia é uma vida inteira resumida”

                               Todo mundo quer viver bem, mas parece que algumas pessoas se esquecem de investir nisso: viver bem dá trabalho. Nossa condição de vida é influenciada por nossas condições físicas, nossos estados emocionais, nossos desejos e pelas escolhas que fazemos. Algumas atitudes fazem o nosso viver valer a pena, com cultivar amizades, manter vínculos de afeto com a família e ter uma vida social onde se possa ter prazer, mas, para que coisas boas aconteçam em nossa vida, é necessário que se invista tempo, energia e afeto em nós mesmos e que se construa um projeto pessoal de felicidade. É fundamental que a gente se priorize, que se cuide muito bem e que goste de quem gosta da gente.

Além disso, é necessário ser sensível às dores do mundo e ser solidário com as pessoas a nossa volta, pois esse é um dos gestos humanos mais bonitos e produtivos. Mas, tem gente que se envolve tanto com os problemas dos outros que deixa de ter vida própria e passa a viver em função da necessidade das outras pessoas e, com frequência, abre mão dos seus desejos, sacrifica necessidades pessoais e se disponibiliza totalmente para viver uma vida que não é sua e a resolver problemas que não são os seus. Muitas vezes, o que parece ser uma forma altruísta, generosa e acolhedora com os outros é, na verdade,  um modo de fugir de seus próprios problemas e de não encarar sua vida de frente.

Vivendo os problemas dos outros

                               Ter acolhimento e proteção com as pessoas, ter disposição para ouvir, para ajudar, oferecer um ombro amigo e um colo protetor, preocupar-se sinceramente com os outros são atitudes que fazem mais bem para quem está se doando do que para quem recebe. É o amor que nos torna necessários. Exerça a solidariedade sempre que possível, sem esquecer de ser generosa com o seu futuro, investindo no seu presente, tendo a consciência de saber que viver é muito mais do que existir.

É certo que as pessoas generosas nunca pedem o crédito pelas suas ações e nem precisam divulgar seus gestos de solidariedade, a não ser que seja pra tentar convencer ou solicitar ajuda de outras pessoas para ajudar alguém ou uma causa. Contudo, também é certo que as pessoas com baixa autoestima acreditam que precisam ter uma total disponibilidade para com os outros para se sentirem aceitas, incluídas e amadas e, sendo assim, se envolvem completamente em “dar”, pois tem muita dificuldade em “receber”. Fazer o bem faz muito bem, principalmente quando não se estabelece um toma- lá, dá cá; uma relação de troca de interesses desnecessária… mas saber receber também nos move no mundo.

Encontrar graça em si mesmo

                               O que eu vejo e acredito, existe. O que eu não vejo porque não quero ver ou até mesmo porque eu não percebo, vai continuar existindo, escondido, como uma pendência ou um nó que um dia vai precisar ser desatado. Apesar da vida também ser feita de compensações e desenganos, nós só podemos mudar o que aceitamos. Encare a vida com esperança; olhe a sua volta com outros olhos, sem exagerar e nem excluir nada.

Não tenha medo de ver, sentir, pensar, julgar, agir, investir, aprender, lembrar, esquecer… viver. Aprenda a ser cuidadoso e generoso com você. Se priorize, se apaixone por você e dê os passos que suas pernas conseguirem dar e seu corpo possa suportar. Não fique parado no meio do caminho e nem se perca de você. Se você anda desencontrado de si mesmo, se procure, se ache, se cuide e se ame. Afinal, como escreveu Carl Jung, psicanalista suíço: “O que não enfrentamos em nós mesmos, acabamos encontrando como destino”. O tempo é escasso, mãos à obra!

Ps: a citação do título é do poeta Dante Milano.

 

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