AZUL OU ROSA?

 

Desde o nascimento, ou melhor, desde a gestação, os bebês já começam a ser identificados socialmente com uma identidade heterossexual, através das cores escolhidas para compor o seu enxoval – azul para os meninos e rosa para as meninas – e, mesmo que as mães (normalmente são as mulheres que se ocupam dessa tarefa) queiram fugir do padrão tradicional e optem por outra cor considerada neutra e que possa ser “adequada” para ambos os sexos, como a verde água ou o bege, muito dificilmente você vai ver alguma peça cor de rosa no enxoval de um menino ou muitas roupas azuis (poucas podem) no das meninas.

E essas questões de gênero se fazem predominantemente presentes, de forma muito natural, em quase todos os momentos e espaços, determinando além da escolha das cores, padroagens, texturas, formatos e objetos presentes na decoração do quarto do bebê, nos enfeites das portas e nos presentes recebidos. Assim, as crianças vão crescendo e esses padrões de gênero continuam sendo mantidos até na determinação das brincadeiras: meninos brincam com carrinhos, bolas e bonecos de super-heróis (podem até ser vilões, mas tem que ser machos) e as meninas com bonecas, roupinhas e panelinhas; até aí tudo bem, mas acontece que meninos e meninas brincam juntos, inclusive de bonecas, para desespero de muitos pais que temem que isso possa interferir na definição sexual de seu filho.

                                                  CRIANÇA TEM A ALMA LIVRE

A infância é um período muito rico em fantasias e descobertas. Nas brincadeiras elas sentem-se livres para desempenhar vários personagens e papéis do mundo adulto e, sem reservas, reproduzem exatamente as falas deles: “não bagunce o seu quarto, se vocês brigarem eu ponho vocês de castigo, vá tomar banho” e incorporam ao seu espaço lúdico tudo o que está a sua volta como carrinhos, bonecas, bolas, panelinhas, bandidos, heróis, roupas dos pais, adornos… E essa alternância de papéis e escolhas significa apenas que as crianças tem a alma livre das censuras e estão vivendo um momento especial de prazer e alegria.

Se as meninas quiserem fazer o papel de homem na brincadeira até podem, pois elas costumam ter mais liberdade para experimentar o diferente, já os meninos terão muito mais dificuldade em viver papéis femininos, pois serão mais censurados e reprimidos por suas escolhas. O eterno padrão de que as meninas são mais dóceis, organizadas, estudiosas e cuidadoras, enquanto que  os meninos são mais violentos, viris, bagunceiros e pouco afeitos às atividades domésticas, não cabe mais no século XXI, onde homens e mulheres exercem as funções de cuidadores e provedores.

MASCULINO E FEMININO

Nas brincadeiras infantis um nada vira tudo, pois as possibilidades de fantasiar, inventar e descobrir coisas são ilimitadas e essa pluralidade é muito importante para que as crianças aprendam a ser criativas, críticas e ousadas no futuro. Então, o pegar uma boneca para brincar não revela o potencial homossexual de um menino e nem o induz a sê-lo, da mesma forma que o gostar de jogar bola e de artes marciais também não representa que a menina será um machinho, trata-se apenas de uma manifestação espontânea de uma criança que repete falas e papéis do mundo adulto em suas brincadeiras.

Quanto à questão da definição da orientação sexual, ela só ocorre na adolescência, portanto, não seja preconceituoso com as crianças. É claro que os pais devem estar atentos as vivências e brincadeiras dos filhos, inclusive prestando atenção em suas falas e condutas na frente deles, já que somos um espelho e modelo de imitação para as crianças e dessa forma, é conosco que elas vão começar a aprender as diferenças entre ser homem e ser mulher.

Nossa preocupação deve ser principalmente a de ensiná-los a respeitar as diferenças e a serem solidários e generosos com os outros, pois ao se tornarem adultos terão mais chance de perceber que ser um homem feminino não fere o lado masculino de ninguém e que as meninas podem ser doces, decididas e independentes.

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