Até que a morte os separe

Faz parte do ritual religioso dos casamentos celebrados na igreja católica a promessa de “ser fiel na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, amando-se e respeitando-se todos os dias da vida, até que a morte os separe” e esse juramento representa o desejo de serem felizes para sempre. Mas, na prática, as relações afetivas não acontecem dessa forma e o juramento do “até que a morte os separe” já não tem o mesmo peso social e religioso, pois os casais não estão mais dispostos (felizmente!!!) a permanecerem casados se a relação não trouxer felicidade para eles.

Antigamente os casamentos eram pra sempre, não que os relacionamentos tivessem mais qualidade e sim porque as mulheres eram totalmente dependentes financeiramente dos maridos e eles eram socialmente responsáveis por manter a família. Com a entrada das mulheres no mercado de trabalho essa responsabilidade passou a ser assumida pelo casal, libertando-os da promessa de permanecerem juntos, caso o casamento não seja mais motivo de prazer e alegria para ambos. Um casal deve permanecer junto por opção e não por necessidade, culpa, obrigação ou medo da solidão.

                                   Das divergências às possibilidades

Ao casarem as pessoas passam a dividir o cotidiano de uma vida, tendo que lidar com desejos, hábitos, valores e culturas diferentes. Só o amor não basta para que duas pessoas vivam bem e cumpram seu protocolo de intenções de amor eterno; é necessário que o casal se disponha a construir seu projeto de felicidade a cada dia, pacientemente, sem urgência, aprendendo a lidar com as circunstâncias desfavoráveis do cotidiano, sabendo que os conflitos serão inevitáveis, pois o outro não é você e nem seu complemento e, portanto, pensa, sente e age diferente de você. Aprenda a transformar divergências em possibilidades.

A responsabilidade pela construção de uma vida conjugal harmoniosa é dos dois e, para que dê certo, é necessário que a confiança e a lealdade mútua se façam presentes, e assim o amor crescerá na liberdade e se solidificará, tolerando as diferenças e respeitando a individualidade de cada um, vivendo um amor que lhe encante, lhe inquiete e que provoque arrepios no corpo e calmaria na alma.

A vida não dá certeza pra ninguém

 Não dá pra prometer amor eterno se a gente não sabe o que vai acontecer ali na frente. A convivência no dia-a-dia é muito desgastante, mas pode ser deliciosa se você não cobrar perfeição e nem responsabilizar o outro pela sua felicidade e, se vocês não se empenharem em construir uma vida juntos, um dia vão olhar pra pessoa com quem casaram e perceber que ela se modificou tanto que, pra lembrar quem ele (a) era, só olhando o álbum de fotografia do casamento.

Um casamento se solidifica com pequenos gestos e se constrói no dia-a-dia, assim o mais realista não é prometer ficar junto “até que a morte nos separe” e sim se empenhar em criar condições para que “a vida os una”. Como? Refazendo o juramento e se propondo a: continuar a ser carinhosos e cuidadosos um com o outro; ficar atentos a sentimentos e necessidades; exercitar a paciência, o afeto e à tolerância; investir na construção de projetos comuns; viver a individualidade como forma de crescimento pessoal; brigar com lealdade; dividir despesas e tarefas; valorizar o que o outro tem de melhor; afastar o tédio e a mesmice da vida; compartilhar dificuldades; celebrar as conquistas… Seja para o seu parceiro(a) amada(o), amante, amiga (o) e cúmplice, construindo uma história de amor que possa durar para sempre.

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