AMIGO IMAGINÁRIO

Algumas crianças passam horas brincando e falando sozinhas, aliás, sozinhas não! Elas estão acompanhadas por um “amigo imaginário”, alguém que ela inventa e que não existe no mundo real, mas ela interage com ele como se ele fosse real (que podem ser invisíveis ou objetos personificados). Alguns pais ficam muito preocupados em ver a criança interagindo, diariamente, com alguém que não existe, mas fazem parte da vida da família, pois, às vezes, a criança até impede alguém de sentar em determinada cadeira, porque a mesma já está ocupada pelo seu amigo. Pais fiquem tranqüilos! Seu filho (a) não está vendo espírito e muito menos delirando; está apenas vivendo um rico momento de criatividade e fantasia, tão comuns entre 2 e 7 anos, fase onde é natural misturar fantasia e realidade.

 Para a criança um amigo imaginário tem muitas vantagens: está sempre disponível para brincar, não briga, não disputa os brinquedos, concorda com tudo e coopera em todas as brincadeiras. É cúmplice nos erros, companheiro nos momentos de solidão e confidente para compartilhar segredos, dividir acontecimentos e ouvir seus problemas e dificuldades.

O amigo imaginário é uma fantasia natural desenvolvida pela criança e costumam aparecer quando ocorrem mudanças no cotidiano da criança (mudança de casa ou de escola, nascimento de um irmão), em situações de perda, de estresse e dificuldades.

Com ele as crianças brincam, conversam, interagem, brigam, dormem ao seu lado na cama e ajudam-na a enfrentar suas angústias, ansiedades e medos; a descarregar as emoções contidas e, principalmente, ajudam a criança a lidar com o escuro, a solidão e o abandono (as maiores angústias infantis). As crianças ensaiam com eles as conversas que terão com as pessoas de verdade, exploram a imaginação e a criatividade e exercitam o poder de mandar e dar ordens.

Os pais devem aceitar a fantasia da criança sem estimulá-la. Deixe o seu filho brincar com seu amigo imaginário sem interferir na brincadeira. Trate do assunto com naturalidade e respeito e só participe da brincadeira quando solicitado. Fique atento ao conteúdo das falas da criança, pois através delas você vai poder saber o que está angustiando e inquietando o seu filho. Nunca utilize o “amigo imaginário” para fazer com que seu filho faça alguma coisa, fale e dê ordens diretamente à criança e, muito menos, permita que seu filho coloque a culpa nele, por algo que tenha feito de errado.

Por volta dos 7 ou 8 anos a criança já está mais madura e consegue perceber melhor o que é fantasia e o que é realidade e, espontaneamente, vai se despedindo com carinho do amigo imaginário. Você pode ajudar nessa transição, deixando bem claro que só ele consegue ver o amigo, e incentivando o convívio do seu filho com os amigos de verdade. O que deve preocupar os pais é se a criança fugir do convívio social e não demonstrar vontade de se relacionar com o mundo real ou se depois dessa idade, o seu filho continuar a fantasiar . O amigo imaginário também contribui para um crescimento saudável.

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