ACUMULADORES COMPULSIVOS

 Colecionar objetos com características comuns é um hobby que algumas pessoas têm ou tiveram em alguns momentos de suas vidas: quando crianças, minhas filhas colecionaram canetinhas, lápis, lapiseiras e papéis de carta; eu já colecionei corujinhas (até que um dia eu cansei e dei todas); alguns adultos colecionam miniaturas de carros, bonecas Barbie, garrafas de whisky, selos, antiguidades e isso pode ser extremamente prazeroso para quem se encanta com esses objetos- cada nova aquisição é celebrada com alegria pelo colecionador que é capaz de passar um bom tempo contemplando orgulhoso a sua coleção.

Até aí tudo bem! Porém, torna-se um problema quando a coleção passa a ter uma quantidade excessiva e ocupa grandes espaços na casa, comprometendo o uso dos aposentos e a mobilidade das pessoas – não dá para andar direito, pois os objetos se espalham até pelo chão.  E quando chega nesse ponto, muito provavelmente, essa pessoa está se tornando um acumulador, e isso provoca reclamações e brigas das outras pessoas da casa que, ao perceberem o absurdo que está acontecendo, solicitam a ela se desfazer de algumas peças, mas não obtêm sucesso, pois a mesma não consegue nem pensar em ficar sem algumas das suas preciosidades.

COLECIONADOR DE LIXO

Na verdade, a acumulação compulsiva de coisas e a incapacidade de se livrar delas é sintoma de um transtorno mental. Diferente do colecionador que só se interessa por objetos de características comuns o acumulador recolhe qualquer objeto; de forma lenta e gradual, recolhem e acumulam tudo o que está ao seu alcance, com a justificativa de que esses objetos poderão ter utilidade no futuro; e, por mais absurdo que pareça, elas chegam a recolher objetos até no lixo e levam para casa.

O Transtorno de acumulação compulsiva acomete mais a mulher e em idade mais madura. Tudo começa no quarto delas e depois vai se espalhando pelo resto da casa, e sem que elas se deem conta, os objetos acumulados passam a dominar suas vidas e elas não conseguem se livrar deles. A casa vira um caos e para fugir das cobranças, elas se isolam, fogem do convívio social e dificultam ao máximo o acesso de outras pessoas à sua casa; o seu quarto costuma viver trancado e ninguém pode limpar ou tentar arrumá-lo. Essas pessoas vivem em estado de aflição e perigo constante.

INTERFERE NA SAÚDE E NA HIGIENE

As pessoas acumuladoras compulsivas não percebem a gravidade da situação, pois não acreditam viver em condições precárias de salubridade, não aceitam que estão doentes e precisando de tratamento. É claro que a bagunça e sujeira em que vivem comprometem a higiene e saúde de todas as pessoas da casa; aumentam os riscos de incêndio, de contaminação e de doenças, além de aumentar o riso de quedas, pois não há espaço útil para que possa circular. E pra piorar um pouco mais esse caos, essas pessoas também podem se cercar de um número exagerado de animais de estimação e, quase sempre, não dispõem de recursos financeiros e nem de local adequado para cuidar deles.

Tudo na vida tem um ou vários porquês! No caso da acumulação compulsiva a origem pode ser muita solidão, um sofrimento intenso, um acúmulo de dívidas, uma ansiedade absurda, grande dificuldades e também outros transtornos emocionantes como a depressão. Os acumuladores compulsivos sentem um grande vazio na vida e tentam a todo custo preenche-lo com muitos objetos a sua volta, ao ponto de perderem totalmente o controle para agregar novos objetos ou se desfazer deles. São incapazes de cuidar dos outros e de si mesmos e muito menos de utilizar de forma saudável seu tempo e seu espaço.

O fato é que essas pessoas precisam de ajuda especializada para se tratar e poder readquirir hábitos de uma vida saudável e voltar a ter um convívio social.

 

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