A separação e a guarda compartilhada

 

Uma separação é sempre uma situação delicada, especialmente quando existem filhos, pois representa o fracasso de um projeto de vida em comum. Na maioria das vezes, ela não ocorre de forma consensual e amigável, o que mobiliza uma avalanche de sentimentos: frustração, rancor, mágoa, angústia, raiva, desejo de vingança (especialmente no caso de infidelidade), dando margem a disputas pela partilha dos bens, pensão alimentícia… e até pela guarda dos filhos, que muitas vezes são usados como “moeda de troca” na intenção de ferir o outro genitor, privando-o de uma maior convivência com os mesmos.

A fim de garantir que a criança tenha convivência com o pai e com a mãe (sendo isso necessário para o seu desenvolvimento educacional, psicológico e social), surge a proposta da guarda compartilhada, onde os pais dividem direitos e deveres, participam de forma igualitária da formação/educação dos filhos e compartilham todas as decisões importantes relativas à vida deles. Mas, infelizmente, esse não é um “arranjo” que pode ser aplicado em qualquer caso de separação, funcionando apenas quando há diálogo, respeito mútuo e maturidade na relação dos ex-cônjuges. Sem dúvida, é mais difícil de ser aplicada!

 

PATERNIDADE ATIVA

 

A família vem passando por profundas mudanças. Hoje, as tarefas estão melhor distribuídas entre os pais, que compartilham a educação, orientação e manutenção dos filhos. Os homens têm avançado no sentido de exercer uma paternidade ativa e uma parcela (que cresce a cada dia) de pais não quer apenas assumir o papel de “pai de fim de semana” ou mero provedor: querem ter o direito do dia-a-dia compartilhado com os filhos. Mas, para que isso aconteça, é necessário administrar todas as circunstâncias de uma separação e romper os preconceitos: para a sociedade a mulher que compartilha com o pai a guarda dos filhos não é uma boa mãe e o homem não vai saber cuidar do filho.

Como, normalmente, a mãe é detentora da guarda e o pai tem direito a visitas, a presença do pai nas reuniões da escola, aniversários, consultas médicas… demonstra que continua havendo lugar para os filhos na vida do pai depois do divórcio e  que ele continua sendo uma referência de amor, companheirismo e afeto.

 

 

O MELHOR PARA OS FILHOS

 

Quando a relação do casal já era conflituosa, provavelmente isso vai se perpetuar depois da separação, o que pode levar o filho(a) a apresentar um “conflito de lealdade”: Vai escolher quem? Vai tomar o partido de quem? Pense que seu filho vai ser beneficiado com a presença física, afetiva e emocional de ambos. A guarda compartilhada não significa que os filhos terão seu tempo dividido entre a casa do pai e da mãe (essa é a guarda alternada) e sim que o genitor com quem o filho não reside (normalmente o pai) pode pegar os filhos na escola; dormir com eles (desde que tenha em sua casa uma estrutura que possa recebê-los); ficar com os filhos quando a mãe viajar… Isso vai exigir dos pais uma convivência mais próxima. É necessário que o espaço e a intimidade do ex-cônjuge e sua nova família (se houver) sejam respeitados, assim como também o desejo da criança em estar com um deles ou até mesmo ficar em casa, seu “porto seguro”.

Todos os profissionais da área de saúde e educação são unânimes em afirmar a importância da presença de pai e mãe para o desenvolvimento satisfatório dos filhos. Compartilhar da vida dos filhos não precisa ser fruto de uma decisão judicial e sim resultado de acordo entre os pais, que se propõem a priorizar o amor e o respeito em vez de mágoas e ressentimentos.

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