A MORTE FAZ PARTE DA VIDA!

 

Nós todos um dia vamos morrer, aliás, a morte é a única coisa certa na vida. Apesar de sabermos disso, para a maioria das pessoas continua sendo muito difícil aceitar a transitoriedade da condição humana e a impermanência da vida; sabemos que estamos todos aqui de passagem, que ao nascermos não informam  nossa família sobre nosso prazo de validade por aqui e, apesar de termos um período pré-estabelecido para nossa chegada (cerca de nove meses) podemos partir ou perder alguém amado por conta de alguma enfermidade demorada, ou de forma abrupta, sem termos tempo para falas de despedidas e declarações de amor.

A morte de uma pessoa querida, em qualquer circunstância ou idade, representa sempre muito sofrimento  às pessoas que a amavam. A dor que os mortos deixam nos vivos faz a vida parecer sem sentido; quem fica tem a sensação de que nunca mais vai conseguir ser feliz, isso seria uma deslealdade e uma prova de desamor para com o morto, além disso, nem sempre é fácil para quem fica lidar com a fantasia da onipotência de achar que poderia ter feito algo que impedisse o óbito (procurado um centro mais adiantado, mudado de hospital…) ou conviver com a culpa de que deveria ter sido mais presente e ter estado mais próximo.

De todas as perdas, a mais terrível, é a dor de perder um filho. A projeção natural da vida é a de que os pais morram antes dos filhos, mas nem sempre isso acontece – quem dera houvesse uma lei de funcionamento universal que livrasse os pais de tamanha dor. A morte de um filho representa uma tragédia, uma dor que tem o poder de tornar a vida insuportável pela vivência de um sofrimento que parece que nunca vai ter fim e, que só consegue ser amenizado quando se busca forças e energia no amor pelos demais familiares, especialmente pelos outros filhos, se houver e na religião.

É comum após a vivência de uma perda significativa por morte, que as pessoas busquem nas religiões ajuda e consolo para os sofrimentos da alma diante da realidade da finitude (isso se a pessoa não estiver muito revoltada, culpabilizando Deus por aquela perda).   Assim, as pessoas com espiritualidade mais desenvolvida e com forte envolvimento religioso sofrem menos em função da crença de que a morte representa uma passagem para o início de uma nova existência, que há vida após a morte, que o espírito é eterno…; essas pessoas também têm menos medo de morrer.

Mas, em qualquer forma ou circunstância, para  conseguir superar a dor da perda de alguém querido é preciso viver esse luto. É indispensável viver a tristeza e as dores terríveis da perda, sem isso não há superação! Não economize choro e nem  esconda seu sofrimento. É saudável viver a sua dor e derramar suas lágrimas; falar  como você está se sentindo, do medo de você não dar conta de viver sem a presença de quem se foi… Quem não consegue compartilhar a sua dor, vai carregá-la sozinho e, sem apoio, colo e carinho, tudo fica absurdamente mais difícil.

O escritor Guimarães Rosa em “Grande Sertão: Veredas” nos ensina que “O importante não é chegar nem partir, é a travessia”, então, precisamos aprender a atravessar a vida de forma mais intensa em afetos, paixões, realizações, carinhos, delicadezas, sorrisos e declarações de amor e bem querer, dessa forma, quando tivermos que partir não vamos com a sensação de que a vida ficou nos devendo muitas coisas e nem carregaremos culpas pelo não dito e não vivido amorosamente com quem se foi.

 

 

 

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One Response so far.

  1. Aury disse:

    A pergunta ñ foi essa,foi. Se a vida faz parte da morte.

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