A magia do brincar

Tem muita gente que acha que brincar não é necessário para a criança e que isso não ajuda ninguém a crescer e ser alguém na vida. Para essas pessoas o mais importante é preencher o tempo livre dos filhos com atividades que lhes possibilitem ter um futuro garantido, como aulas de inglês, kumon, aulas de reforço, prática de esportes. Em função disso, muitas crianças têm uma agenda de executivo, correm o dia inteiro e não lhes sobra tempo para fazer uma coisa essencial para o seu desenvolvimento maturacional: brincar.

A infância é o tempo de explorar o mundo, de descobrir as coisas de forma lúdica. Quando as crianças não brincam, estão deixando de viver algo extremamente importante que é a infância. Além do que, ao brincar, a criança desenvolve a inteligência e o raciocínio lógico, estimula a criatividade, melhora a coordenação motora, alivia tensões, favorece a socialização, aprende a lidar com as frustrações, melhora o aprendizado desenvolvendo habilidades cognitivas, aprende valores, torna claro suas facilidades e dificuldades… e fortalece os vínculos afetivos.

Ver televisão não é brincar

Em pesquisa realizada para identificar como as crianças brasileiras brincam e quais as suas principais diversões, constatou-se que assistir tevê ou DVD aparece em primeiro lugar na lista das brincadeiras mais praticadas pelas nossas crianças. Mas, desde quando assistir tevê é brincadeira? É claro que deve haver espaço para as crianças assistirem tevê, verem um filme, usarem o computador, jogarem vídeo-game; o ruim é quando elas passam muito tempo envolvidas com essas atividades e deixam de se movimentar e interagir com outras pessoas, especialmente os pais, irmãos e outras crianças.

A mesma pesquisa também constatou que as brincadeiras estão se tornando solitárias. Muitas crianças brincam quase o tempo todo sozinhas, o que é muito ruim. Os pais, que pelas circunstâncias da vida, passam muito tempo longe dos filhos e têm uma boa situação financeira, tendem a enchê-los de presente e brinquedos, como uma forma de compensar e justificar a sua ausência e acabam esquecendo da importância da socialização e de que elas precisam de um parceiro para brincar.

 Valorizando o lúdico

As crianças precisam ter um tempo livre para brincar ou até ou até mesmo não fazer nada. Brincar é essencial para o seu desenvolvimento, assim como comer e dormir. Através das brincadeiras, os pais têm uma excelente oportunidade para estabelecer um vínculo maior com os filhos, ensiná-los a respeitar as regras, solidificar valores, lidar com perdas e ganhos e viver com eles uma relação de confiança, afeto e cumplicidade.

É importantíssimo que os pais reservem diariamente, nem que seja meia hora do seu tempo para brincar com os filhos.E não vale apenas estar sentado no mesmo ambiente, ficar lendo jornal ou assistindo tevê e,eventualmente, responder uma pergunta, fazer um “hum, hum” ou um afago na criança. Isso não é dar atenção! É preciso ficar realmente à disposição dos filhos nesse momento. Se possível leve seus filhos ao clube, à praça, busque o contato com a natureza, pois eles precisam correr, se mexer, experimentar os limites do seu corpo, se pendurar, se arriscar em alguns movimentos e atividades e, com certeza, com vocês por perto eles se sentirão mais seguros.

Deixe o seu filho livre pra escolher suas próprias formas de brincar, mas, se você tiver pique e disponibilidade para resgatar com ele as brincadeiras de sua época como pular de macaca, jogar queimada (cemitério), pira se esconde… com certeza, esse será um momento mágico na vida de vocês. Experimente!

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