A ESCOLHA DO PARCEIRO

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            A vida é a arte de fazer escolhas e uma das escolhas mais difíceis que fazemos na vida é escolher quem será nosso parceiro amoroso. Muitas vezes, a nossa atenção é culturalmente induzida para perceber o que nos interessa e atrai, ao mesmo tempo em que ocorre uma “desatenção seletiva” para aspectos que poderão se tornar problema na relação.

            Todos nós desejamos companhia, aconchego, fantasia, encantamento, prazer e amor. Além disso, a sociedade insiste que devemos encontrar nossa “alma gêmea”, nos fazendo sentir incompletos e, assim, buscarmos alguém que nos complete, transferindo para o outro a responsabilidade pela nossa felicidade. Ninguém completa ninguém, somos seres únicos e diferenciados.

Amar é aceitar a pessoa do jeito que ela é e não apostar que ela mude com o tempo. Não que o outro e você não sejam capazes de mudar, mas se isso acontecer, que seja resultado de uma decisão pessoal de revisão de condutas e não uma imposição do outro. Não se muda por decreto.

  Em um primeiro momento, a aparência física é o que mobiliza a nossa atenção. A atração física é importante, mas a atração psíquica é fundamental.  Em todo processo de escolha existem elementos conscientes e inconscientes, permeados por fantasias, impulsos, defesas, desejos, medos e angústias que trazemos de nossas famílias de origem e de nossas relações anteriores. Quem fica preso ao passado tem dificuldade de viver afetos.

O que torna uma relação harmoniosa e prazerosa são as afinidades. Os opostos podem se atrair em um primeiro momento e significa um movimento inconsciente de busca de complementariedade, o que com o tempo tende a tornar a relação pesada, desgastante e fadada a terminar.

            A escolha do parceiro aparentemente envolve duas pessoas, mas é muito mais que isso.

            Não temos consciência de todos os motivos das nossas escolhas, pois parte delas são inconscientes. Contudo, devemos ficar atentos tanto aos nossos sentimentos quanto aos dados de realidade que o outro está nos mostrando, através da sua conduta, da forma como se relaciona com a família dele, com a nossa família e como ele nos trata, enfim a coerência entre o discurso e os atos…

            Para aprender a escolher é preciso antes exercitar ficar sozinho/sozinha, a conviver consigo mesmo(a), fazer silêncio interior para perceber os sinais de que a vida nos mostra. É se sentir livre para amar e buscar um relacionamento em que exista respeito à individualidade, e perceber que a liberdade é o ar que o amor respira. É buscar a alegria e o prazer de estar junto, sem responsabilizar o outro pela nossa felicidade. É gostar da pessoa que se é, quando está com o outro… como diz Shutz.

Nós somos responsáveis por nossas escolhas e para sermos felizes no amor, é preciso  investir em relacionamentos em que se tenha cumplicidade, gostar de fazer coisas juntos, conseguir rir de bobagens, torcer pelo sucesso um do outro, fazer sexo com prazer, admirar e respeitar o parceiro, gostar de conversar (isso é importantíssimo), saber cuidar e ser cuidado, não economizar colo, carinho e aconchego, ter valores éticos e morais parecidos, respeitar às diferenças,  saber partilhar vida e estar disposto a priorizar o relacionamento amoroso.

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