“A era da idade indefinida”

Vivemos numa época de culto à beleza e à juventude. Valendo-se dos avanços da medicina estética, com todos os seus recursos (cirurgias plásticas, botoxes, peelings, implantes, preenchimentos, lipoaspirações, monte de cremes, remédios para emagrecer…), além de dietas, esportes e muita malhação, muitas mulheres (e homens também) estão se submetendo a estes procedimentos, buscando atenuar os efeitos do tempo, driblar a lei da gravidade ou alterar a genética. Cuidar-se para ficar mais bonita (o) e parecer mais jovem é um desejo absolutamente saudável e tudo o que venha contribuir para melhorar a outo-estima das pessoas e torná-las mais satisfeitas com elas e com a vida deve ser visto como recurso muito bem vindo.

Mas, quando se torna uma fixação ter que parecer jovem e linda, transformando-se numa prioridade de vida, algumas vezes até colocando em risco a saúde das pessoas, deixa de ser saudável e passa a ser um problema. Se olharmos para Cristiane Torloni, Martha Rocha, Vera Fisher, Chico Buarque, Antônio Fagundes, Richard Gere e tantos outros que já ultrapassaram os 50 ou 60 anos e continuam lindos, percebemos que a beleza pode ser um atributo eterno, mas a juventude não: ela é efêmera e não dura para sempre.

O culto à juventude

A industrialização da beleza e o culto à juventude têm merecido um investimento muito grande de marketing e propaganda, haja vista o retorno financeiro garantido, pois o comércio da vaidade rende muito dinheiro. Se todas as propagandas de creme que prometem suavizar as rugas e as marcas de expressão em duas ou três semanas dessem certo, todo mundo que já usou esses cremes teria a pele toda lisinha e viçosa, o que não acontece. O ideal é que você procure um especialista em dermatologia ou cosmiatria para cuidar da beleza, garantindo a sua saúde e também para não se deixar enganar “comprando gato por lebre”.

A moda é outro quesito fundamental no culto à juventude. Antes as filhas vestiam as roupas das mães para parecerem mais adultas, hoje, parece que as coisas se inverteram, pois as mães é que usam as roupas das filhas para parecerem mais jovens. Conseguir usar o mesmo número de roupa da filha (desde que esse número não seja um GG, claro) é maravilhoso, mas tenha cuidado em partilhar uma roupa que seja compatível não só com o seu tipo físico, mas também com a sua faixa etária. Afinal de contas, ter noção do ridículo continua a ser uma dimensão muito válida na vida e uma segunda adolescência não precisa fazer parte do seu jeito de ser e viver.

Ficar de bem com o espelho

As marcas do tempo aparecerão mais cedo ou mais tarde, na vida de todos nós. Aos 25 anos se tem o frescor da juventude, aos 52 você pode permanecer bela, mas o seu corpo vai demonstrar, em algum lugar, por mais que você se cuide muito, os sinais do envelhecimento. Cuide-se e procure ficar de bem com o espelho, tendo a consciência de que tudo na vida se modifica; que cada marquinha, cada ruga faz parte de uma história que você viveu e viver é colecionar lembranças. Saiba que pra amar a vida é preciso ter um espírito jovem!

Cuide do físico, sinta-se feliz com o seu corpo, assuma a idade que você tem, mas também invista no que o espelho não vê: no crescimento pessoal, na segurança emocional e na busca espiritual. Eu aprendi com o Mário Lago e “fiz um acordo de coexistência pacífica com o tempo: nem ele me persegue, nem eu fujo dele. Um dia a gente se encontra”.

 

 

 

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