A CURIOSIDADE MATOU O GATO

 

Na Europa, no final da Idade Média, havia a crença de que os gatos traziam má sorte, especialmente os gatos pretos e, para se livrar do azar, as pessoas precisavam exterminar os malditos felinos. Para tanto, elas preparavam armadilhas, muitas vezes usando objetos estranhos para atrair a atenção dos gatos que, movidos pela curiosidade, eram presos e eliminados. Como a curiosidade dos bichanos os levava às armadilhas e à morte, isso serviu de enredo para a criação do ditado popular “a curiosidade matou o gato”; e como todo dito popular traz uma mensagem moral referendada por gerações, nesse caso, funciona um alerta de que a curiosidade pode levar as pessoas à morte.

Acontece que o ser humano é provido de uma curiosidade natural, afinal de contas possuímos 100 bilhões de neurônios e cada um deles tem a capacidade de fazer cerca de sete mil conexões sinápticas, o que nos dá uma condição imensa de usá-los na exploração e descoberta de uma infinidade de possibilidades.

DESEJO DE SABER

Por volta dos três e quatro anos as crianças despertam para a curiosidade de entender como as coisas acontecem, é a fase dos porquês.  A partir da construção da sua própria identidade, da noção do “eu” no mundo, a criança passa a perceber as coisas a seu redor de outra forma e sendo assim, elas querem conhecer, saber e entender as coisas da vida. Elas crivam as pessoas de perguntas, tudo elas querem saber. Muitas vezes os pais ficam tão cansados e aturdidos diante de tantas interrogações e, já sem paciência, apelam para o famoso porque sim!

É necessário que os adultos que lidam com as crianças tenham consciência da importância dessa fase para o desenvolvimento psicossocial das mesmas e demonstrem paciência e respeito diante dos questionamentos infantis. As perguntas das crianças merecem uma resposta, mesmo que seja muito difícil explicar coisas que estejam fora do limite de compreensão delas, em função de idade, maturidade e experiência, alguma coisa precisa ser respondida. Se as crianças forem tolhidas pelo adulto no momento em que se mostram interessadas em conhecer o mundo a sua volta, poderão perder o interesse em descobrir coisas novas e no futuro se tornarem adultos pouco questionadores e críticos.

CURIOSIDADE NÃO É FOFOCA

O curioso é uma pessoa que gosta de descobertas, que se sente atraído pelo desconhecido, que busca sempre descobrir algo que possa ser importante para ele. Exploração e descoberta garantem uma ampliação de conhecimentos. A curiosidade transforma o desconhecido em conhecido, desvenda mistérios, cria possibilidades e costuma ser uma vantagem competitiva. A humanidade não teria caminhado tanto se a curiosidade dos povos primitivos não os tivessem mobilizado a buscar o novo e criar novas possibilidades na vida.

A curiosidade pelo conhecimento nos leva a ver o mundo com outros olhos, tendo a verdade como balizadora da informação e que nos faz buscar o novo pra agregar valor à vida e isso é muito, mas muito diferente de você querer saber sobre a vida dos outros para fofocar, para falar mal, para simplesmente especular sobre a vida alheia, sem que isso lhe traga nenhum benefício duradouro e ainda pode, no mínimo, criar transtornos pra outra pessoa; a curiosidade que vai atrás do “eu não te conto”, que dá trela pro “me falaram”, é nociva, perniciosa e provavelmente não mata o gato, mas pode deixar muita gente com vontade de tirar o couro dele!

 

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