A boa mãe é aquela que se torna desnecessária

 

Um dia desses, li um artigo numa revista que dizia: “a boa mãe é aquela que vai se tornando desnecessária com o passar do tempo”. Confesso que não gostei da idéia de que minhas filhas não precisarão mais tanto de mim (esse “tanto” já demonstrava meu desconforto), ou melhor, que um dia eu me tornarei desnecessária para elas. Mas, pensando bem, qual o desejo das mães com relação ao futuro dos filhos? A grande maioria de nós vai dizer que deseja que eles saibam lidar e se defender dos perigos da vida; que sejam independentes; que consigam garantir a sua sobrevivência financeira e, se possível, que tenham sucesso na vida; que aprendam a cuidar da saúde; que tenham qualidade de vida… Enfim, que saibam se virar quando a gente não estiver por perto.

 

Na verdade, nós criamos nossos filhos para que vivam com independência e se eles conseguem ter uma postura ética diante da vida e se “cuidarem direitinho” (essa frase é bem a cara de mãe), isso deve ser motivo de orgulho pra qualquer boa mãe (inclusive eu), pois se conseguimos nos tornar desnecessárias para nossos filhos é sinal de que nosso investimento afetivo deu certo. Parabéns pra nós!

 

Ajudando-os a crescer

Quando um bebê nasce, junto com ele nasce a mãe. Os bebês chegam ao mundo totalmente dependentes, especialmente das mães, e permanecem assim por um bom tempo. Eles irão crescer, experimentar a vida, aprender a lidar com as circunstâncias do dia-a-dia, fazer amigos, namorar…  Também vão, aos poucos, se desprenderem de nós e passarem a se comprometer com os próprios desejos e decisões, cabendo a nós ensiná-los que não precisam pensar igual à gente e nem ter os mesmos desejos para receberem o nosso afeto.

 

A relação da mãe com os filhos é sempre permeada de amor, conflitos e cobranças. Não tenha medo de bancar a chata!  Um pouco de controle e cobrança são absolutamente necessários para que eles amadureçam e se tornem independentes. Assim, devemos exigir que eles arrumem o quarto; nos digam para onde vão, com quem estão e o que estão fazendo; colocá-los de castigo quando fizerem algo de errado; exigir que se alimentem de forma adequada; cobrar que estudem; obrigá-los a tomar banho e escovar os dentes; mandá-los desligar o computador ou tv e dormir porque já é tarde… Eles sempre vão reclamar das regras, mas nosso dever é o de estabelecer claramente normas e limites.

 

Amor Incondicional

É necessário que os pais não só aprovem, como também, incentivem os movimentos de autonomia dos filhos, ajudando-os a compreender e a conviver com a loucura do mundo lá fora. Para que isso aconteça, é preciso que a gente se disponha a escutá-los mais, saber o que pensam, nos permitir aprender com eles e criar um ambiente favorável para que se tornem adultos emocionalmente equilibrados e protagonistas da sua própria história. O que nossos filhos precisam é ter a certeza de que sempre estaremos por perto, dando colo e confortando-os nos sofrimentos e erros e festejando com eles os acertos e as conquistas.

 

Hoje é dia das mães e o meu desejo, como mãe, é o de me tornar cada vez mais deliciosamente desnecessária para minhas filhas e, para isso, tenho que continuar aprendendo a segurar meu lado protetor. Tenho motivos para comemorar a minha alegria e sorte de ter a Naninha como mãe (minha grande referência de amor, delicadeza e solidariedade) e ter como filhos a Cacau e a Clara. Com elas aprendo, a cada dia, a ser uma mãe melhor e a viver todo o encantamento desse amor incondicional.

 

 

 

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