A AIDS E OS ADOLESCENTES

 

Nos últimos 10 anos, o número de jovens na faixa etária de 15 a 24 anos infectados com a AIDS aumentou mais de 50%; 30 a 35% deste total estão a baixo de 25 anos e 20% tem menos de 20 anos e em cada três pessoas infectadas com o vírus da AIDS, uma é jovem. Mas, por que será que isso está acontecendo com nossos jovens? Primeiramente, lhes faltam orientações e cobranças constantes, tão necessárias para que façam o sexo com segurança, pois ainda é muito difícil para muitos pais conversarem sobre sexo com os filhos adolescentes, principalmente porque eles não conseguiram estabelecer com eles uma relação de confiança e intimidade.

Além disso, a maioria das relações sexuais entre os jovens ocorrem nas madrugadas, depois das baladas, onde possivelmente eles já beberam bastante, alguns até já usaram drogas e, com os hormônios em ebulição pelo corpo e já sem muito controle da vida, quem vai se lembrar de usar preservativo?  A maioria deles nem se toca na hora e os que por ventura se lembram, magicamente pensam que não vai acontecer nada com eles, que uma vez só não vai ter problema! Porém não é assim que as coisas acontecem, e muitas vezes tem problema sim e eles se contaminam.

Apesar de muitos jovens saberem que a AIDS é uma doença infectocontagiosa, causada pelo vírus HIV, que leva a perda progressiva da imunidade e que por isso usar camisinha é fundamental, a verdade é que com o avanço do tratamento para AIDS diminuiu consideravelmente o número de óbitos e com isso o debate sobre o assunto, as campanhas sobre a necessidade do uso de preservativos diminuíram e passaram a ser mais direcionadas a determinadas épocas como o carnaval. Em função também disso, muitos jovens (não só eles, os adultos também) perderam o medo e se descuidaram.

A verdade é que falar sobre sexo e intimidade nem sempre é fácil. Ainda há certa timidez em abordar o tema, alguns pais não conseguem falar com naturalidade sobre o assunto com os seus filhos adolescentes (alguns não conseguem conversar nem com os seus parceiros sobre suas preferências sexuais, imagina com os filhos!). O ideal seria que, desde a infância os pais tivessem criado o hábito salutar de conversar com os seus filhos sobre as coisas do dia a dia, que aproveitassem os assuntos que aparecem nos filmes, novelas e revistas como uma alavanca para facilitar a conversa entre eles.

A própria biologia leva os adolescentes a praticarem o sexo (os hormônios estão se atropelando no corpo deles) e não dá para fazer de conta que a gente não está percebendo isso, portanto o melhor que temos a fazer é protegê-los com conversas e orientações sobre o assunto. Nossos jovens estão cada vez mais se iniciando de forma precoce no sexo, às vezes até antes dos treze anos – pesquisas mostraram Belém como a capital onde os jovens iniciam mais cedo a sua vida sexual -; que maturidade pode ter alguém com essa idade para ter a responsabilidade de se cuidar e evitar uma gravidez indesejada, doenças sexualmente transmissíveis ou até mesmo abusos sexuais?

Como nós temos perdido tantos jovens em função das drogas, eu tenho a impressão de que essa passou a ser a preocupação principal dos pais e o sexo entrou no rol dos assuntos não prioritários. Na maioria dos países as taxas de AIDS na adolescência diminuíram, mas aqui no Brasil não. Prevenção é fundamental! Converse sobre o assunto com seus filhos (meninos e meninas) e oriente-os quanto à necessidade do uso de preservativos para que possam ter uma vida saudável.

 

 

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