• Vivendo a mil por hora!

    Quem não conhece um garoto endiabrado, tipo o personagem  do Macaulay Culkain em “Esqueceram de mim”? Um pestinha, que se transforma no martírio das mães, desespero dos professores e no terror das festinhas de aniversário. Uma criança que parece que troca a pilha (alcalina) todos os dias. Tem uma energia infinita para correr, pular, falar, brigar…

    Além disso, não se concentra nas brincadeiras, é teimoso, agressivo e agitadíssimo. Isso tudo, o transforma em uma criança com grande dificuldade de convivência, atormentando tanto as pessoas que acaba sendo rejeitada.

    Lembraram de alguém?

     

    COM COMEÇO… SEM FIM…

     

    Parece capítulo de novela. A mãe olha desanimada. Há uma hora seu filho está sentado para fazer o dever de casa, de apenas duas páginas. Já derrubou o lápis e a borracha no chão, já se levantou para tomar água e fazer xixi, já caiu da cadeira…Tudo menos se concentrar para fazer o dever. Ah! E quando mãe se aproxima a criança diz: “não sei fazer. É muito difícil.”

    A mãe olha o dever e sentencia: “claro que você sabe. Você está é com preguiça.”

    Se isso já aconteceu com o seu filho poucas vezes, você estava certa: seu filho estava mesmo com preguiça naquele dia. Agora, se essa novela é quase que diariamente, a história não termina aqui.

    A escola lhe chama para conversar. As notas da criança foram baixas. Além do que, não se mostra interessado na aula, não consegue terminar de copiar o conteúdo do quadro e nem termina as tarefas. Não consegue ficar quieto em sala de aula, só participa das tarefas que lhe interessam, fala sem parar, interrompe os outros, não respeita as normas, desafia os limites e fica tão desligado que nem escuta quando alguém lhe chama.

    Você vai conversar com seu filho. Ele chora, se sente inferiorizado diante dos colegas e você se pergunta: – O que está acontecendo? Onde eu errei?

    Essa história lhe parece familiar?

     

    POR QUE NÃO CONSEGUEM PRESTAR ATENÇÃO ?

     

    Existe uma grande probabilidade de o seu filho ser portador do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Apesar do nome complicado, o TDAH é mais comum do que se imagina  – 5% da população mundial sofrem deste transtorno.

    O TDAH se caracteriza por uma combinação de sintomas de desatenção (esquecimento ou dispersão), de hiperatividade (alvoroço permanente) e de impulsividade (impaciência).

    As crianças com TDAH apresentam dificuldade em manter a atenção em atividades de baixa e média motivação (a escola é uma delas). Em atividades para as quais se sentem muito motivados (videogames, jogos no computador) são capazes de passar muito tempo concentradas. Não se trata de “prestar atenção apenas no que querem”, mas sim de só conseguir superar a deficiência se estiverem muito motivados.

     

    VERDADES SOBRE O TDAH

     

    1 – É mais comum em meninos do que em meninas;

    2 – Possuem um forte componente genético (40% das crianças têm pais que apresentaram o mesmo problema na infância);

    3 – Crianças com TDAH têm inteligência normal e algumas vezes até acima da média. Mozart, Beethoven, Magic Johnson, Robin Williams, Benjamin Franklin, Einstein… Todos foram maus estudantes e típicos portadores de TDAH;

    4 –  Nem toda criança danada é portadora de TDAH. É necessário que os sintomas estejam presentes antes dos sete anos e estejam trazendo prejuízos para a criança em outro ambiente além da escola (casa, grupos recreativos,…);

    5 – O Transtorno de Déficit de Atenção pode existir sem hiperatividade. Nesse caso, a criança apresenta-se retraída e tímida, o que torna o diagnóstico mais difícil, pois sendo quietinha não perturba, seu problema pode passar despercebido;

    6 – Uma criança portadora de TDAH sente-se inferiorizada, sua auto-estima é muito baixa em razão dos insucessos, tornando-se uma presa fácil na adolescência para a delinqüência, o uso de álcool e de drogas;

    7 – O TDAH é um distúrbio tratável e a melhor maneira de tratar os sintomas é através da psicoterapia e medicamento. Quanto mais cedo diagnosticado, melhor o prognóstico do tratamento;

    8 – O TDAH não atinge só crianças. Suas seqüelas podem permanecer na vida adulta;

    9 – O diagnóstico do TDAH é eminentemente clínico (baseado nos sintomas) e deve ser feito por especialistas (Neurologistas, Psiquiatras e Psicólogos).

    O QUE OS PAIS PODEM FAZER ?

     

    1 – Acompanhe as tarefas de seu filho durante uma semana, a fim de poder localizar suas dificuldades;

    2 – Procure a escola para conversar sobre as dificuldades do seu filho;

    3 – Estimule-o com jogos de memória, cartas, xadrez, ditados com textos que ele goste e vá aumentando gradativamente o tempo dessas atividades;

    4 – Direcione a energia dele para a prática de esportes e trabalhos artísticos;

    5 – Deixe que seu filho descubra a melhor forma de estudar, pois dificilmente ele vai se adaptar aos métodos tradicionais;

    6 – Defina a rotina que ele tem que agir diariamente, estabelecendo prioridades;

    7 – Elogie-o sempre que ele conseguir concluir uma tarefa. Incentive-o a superar seu tempo;

    8 – Procure tratamento especializado.

    O TDAH não piora. O que piora são as demandas da vida. As crianças portadoras de TDAH não são burras, preguiçosas e nem irresponsáveis, portanto, não é batendo e nem castigando que o problema vai ser resolvido. Precisam de ajuda para conduzir sua vida com tranqüilidade –  não mais a mil por hora  –  e  reescrever sua história com um final feliz !

     

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