• SÍNDROME DO NINHO VAZIO

     

     

    Um dia, a gente percebe que nossos filhos cresceram, romperam o “cordão umbilical” e estão se tornando mais independentes. Namoram, saem para festas, entram na faculdade, fazem estágio, se formam, arrumam emprego, vão estudar em outra cidade, se casam ou vão morar só. Eles decidem criar asas e voar para ter vida própria. A rotina da casa se modifica e o coração vai ficando apertado com isso. Tudo parece ter uma paz exagerada, a ausência do barulho faz saudade no coração e o silêncio fica incômodo: Cadê o som alto, a bagunça, os amigos em casa, o telefone tocando a toda hora e os constantes chamados… Os espaços físicos se ampliam e a vida parece sem graça!

    Alguns pais vivem esse momento com muita tristeza: perdem o chão, se sentem inadequados e a sensação de inutilidade e desimportância bate feio (alguns até deprimem). As mulheres costumam sentir mais a síndrome do ninho vazio já que se dedicam mais aos cuidados dos filhos (a maternidade tem uma função social). Além disso, esse período normalmente coincide com a menopausa, fase em que a mulher não pode mais ter filhos e sente que está perdendo os que têm. Mas, os pais não deixam de ser amados porque os filhos saíram de casa.

    Os filhos vão crescendo e com eles o desejo de liberdade. Os pais vivem a ambivalência de tê-los criados para serem independentes e terem vida própria mas, ao mesmo tempo, desejam mantê-los por perto, embora a autonomia dos filhos seja motivo de orgulho. É, temos que reconhecer o nosso sentimento de posse com relação a eles. O amado Chico Buarque, na canção “As minhas meninas”, traduz muito bem isso: “ Olha as minhas meninas, as minhas meninas pra onde é que elas vão. Já saem sozinhas… passam por mim e embaraçam as linhas da minha mão…”

    Com o alto índice de separações, e sem ter um companheiro em casa, os pais sentem mais ainda a saída dos filhos de casa. Os homens também costumam sofrer com o “ninho vazio”, especialmente aqueles que são pãe (um pai que é também mãe). Com a dificuldade de arrumar emprego e a facilidade nos relacionamentos amorosos, os filhos têm permanecido mais tempo na casa dos pais e isso nos dá mais tempo para nos acostumarmos com a idéia da separação. Os filhos não podem ser eternamente responsáveis por atender todas as nossas demandas de afeto.

    Pois é, enfim sós, de novo! Os casais que partilharam uma vida a dois e investiram numa relação amorosa, aprenderam a ser pais, sem esquecer de ser casal e não gastaram toda a energia somente na educação dos filhos. Assim, terão agora uma ótima oportunidade para conviver com mais intimidade e realizar novos projetos juntos. Mas, os que não investiram numa vida amorosa terão que reaprender a viver juntos e a reprogramar a vida sem a presença dos filhos. Tenha paciência e cuidado para que esse momento, que deve ser de reaproximação, não seja pontuado por brigas e desavenças constantes (muitos divórcios acontecem nesse período). Em qualquer circunstância, mesmo que você esteja sozinha(o), use o seu tempo livre prazerosamente: inicie algum curso, viaje, abra um novo negócio, mantenha uma vida social ativa, visite creches e orfanatos, tenha um hobbie, matricule-se numa academia, faça dança de salão, divirta-se…

    Nosso desejo de pais é o de criar filhos saudáveis, equilibrados, independentes, que nos amem e tenham sensibilidade para entender esse nosso momento de perda. A mudança é algo constante em nossas vidas, contudo, nosso compromisso pessoal deve ser sempre

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