•            OS OPOSTOS SE ATRAEM?

     

    Esse conceito de que os opostos se atraem é originário da física, mas precisamente da Lei de Coulomb que descreve a interação eletroestática entre partículas eletricamente carregadas – a força é atrativa se as cargas tiverem sinais opostos e repulsiva se as cargas tiverem o mesmo sinal (e mais do que isso os meus parcos conhecimentos de física não me garantem afirmar); a partir daí, esse conceito migrou para a vida cotidiana e passou a ser usado para justificar o fato de que duas pessoas com gostos e funcionamento absolutamente diferentes podem sentir-se atraídas uma pela outra.

    De fato, tendo como referência os relacionamentos amorosos, os opostos se atraem, mas não é qualquer oposto! Nós temos atração por aquilo que nos falta e que valorizamos. Para me interessar, o outro tem que ser o que eu não sou, saber o que eu não sei, fazer o que eu não faço, funcionar como eu não funciono, viver como eu não vivo… Nesse caso, os opostos se atraem num movimento inconsciente de busca de complementariedade, algo do tipo “nós nos completamos no amor e na vida”!

    Essas diferenças podem ser interessantes se nos fazem crescer e nos permitem explorar aspectos e circunstâncias antes não vivenciadas por nós, porém, quando as diferenças são marcantes elas provavelmente tornarão a relação pesada e desgastante e assim, o que antes era motivo de encantamento e alegria, pode tornar-se motivo de raiva e brigas. O desejo passa a ser o de mudar o parceiro, “transformar o seu rascunho em arte final”, para que em fim a conduta e funcionamento dele correspondam ao nosso desejo e idealização; obviamente, esse esforço para que o outro mude acaba por produzir muitas mágoas e ressentimentos, muitas vezes determinando o fim da relação.

    No entanto, não são as diferenças e sim as afinidades que solidificam uma relação. O desejo de estar juntos, de partilhar aconchego, fantasias, encantamentos, prazer e amor exige que além da atração física haja uma atração provocada pela cumplicidade, pelo encontro de almas, enfim, pelas afinidades. Devemos buscar alguém que nos agrade, que tenha vários interesses semelhantes, que aceite embarcar em nossas viagens (sejam elas reais ou devaneios) e partilhar desejos e sonhos; se não for assim a vida fica pesada, sem cor e sem brilho.

    Por outro lado, essa história de que devemos encontrar nossa “alma gêmea”, a outra ”metade da maçã” também é absurdamente equivocada e só serve para nos fazer sentir incompletos e, assim, irmos à procura de alguém que nos complete. Não podemos delegar para outra pessoa a responsabilidade pela nossa felicidade. Ninguém completa ninguém, não são duas metades que se juntam e sim duas pessoas inteiras, cada um com suas particularidades, mas que embora diferentes tenham interesse em olhar e caminhar na mesma direção.

    Pois é, os opostos até se atraem, mas o que faz as pessoas permanecerem juntas são as afinidades. Nós não nos damos conta de todos os motivos que nos levam a fazer uma escolha amorosa, pois parte deles são inconscientes, porém um bom indicador de possibilidade de sucesso amoroso é você constatar que no seu relacionamento existe respeito à individualidade de cada um, é você gostar da pessoa que você é quando está com o outro, é perceber que o prazer em fazer coisas juntos é reciproco, é viver em coerência com discursos e atos e, principalmente, investir no amor como uma construção diária de afinidades e possibilidades.

     

     

     

     

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5 Responsesso far.

  1. Marylouise disse:

    Uneiabevlble how well-written and informative this was.

  2. I love tricel so much that I can't comment on much else – other than how genius you are to find tights exactly the same shade as the flowers on t'frock! Anyhow, the frock is marvellous and works t'rifically with the denim jacket …. am now going off to lament getting rid of all the tricel I had in the 80s 🙁 xx

  3. It’s really great that people are sharing this information.

  4. http://www./ disse:

    The Jewish population of Israel has never gone down from one year to the next. The fact that Chinese, Korean and Russian citizens move to other countries does not mean these countries are going to collapse either.

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