• “OLHO POR OLHO, DENTE POR DENTE”

     

    Não dá pra negar: todo mundo, inclusive uma pessoa tida como muito “boazinha”, um dia, já teve vontade de dar o troco e se vingar de alguém que a prejudicou, desvalorizou, ofendeu, traiu, ou desamou   e, mais ainda, se o fez na hora, sentiu muito prazer (pesquisas comprovam que a vingança é acionada na mesma região cerebral responsável pela sensação de recompensa). O problema é o depois!

    “A vingança é um prato que se serve frio” diz o ditado popular e, embora a civilização ocidental a classifique como sendo um sentimento mesquinho, o desejo de vingança faz parte da natureza humana. Homens e mulheres lidam de forma diferente com esse sentimento: os homens reagem mais a base do bateu-levou, devolvem o golpe na hora, pois, desde pequenos, são orientados a não levar desaforo para casa, por isso sua resposta é mais imediata; já as mulheres planejam mais a vingança e passam mais tempo remoendo o sofrimento, provavelmente por isso o filósofo Friedrich Nietzsche falou que “na vingança e no amor a mulher é mais bárbara do que o homem”. Mas, apesar de ser uma reação humana momentaneamente prazerosa, ela não elimina a dor e o sofrimento.

    Todos os nossos desejos e atos são influenciados por nossa história pessoal e psiquismo. A visão de mundo varia de uma sociedade para outra, de pessoa para pessoa, mas cada um de nós expressa suas experiências afetivas de forma diferenciada. Valores pessoais, morais e éticos dependem dos costumes e experiências culturais, mas, nossos atos, mesmo sendo baseados em valores sociais, resultam de um compromisso com a nossa consciência (derivam do confronto da emoção com a razão) e determinam o que se vai fazer. A vingança, normalmente, não é um ato impensado.

    Por mais forte que seja o desejo de vingança, pare e pense na conseqüência de seus atos: quem lhe garante que você vai se sentir melhor, mais aliviada, fazendo o outro sofrer? Você até imagina que o outro vai passar exatamente pelo que você passou, vai sofrer o que você sofreu… e não é verdade. Ele pode até sentir dor, mas a dor dele é diferente da sua, além do que a vingança pode até funcionar como um “analgésico”, com efeito de curta duração, jamais como um “antibiótico” que cura a doença. O que você precisa para se livrar do sofrimento é eliminar as causas que o originaram.

    Nós não estamos mais no Séc. XVIII a.C, onde fazia parte da justiça dos homens pagar uma ofensa com a mesma moeda como consta na Lei de Talião (Código de Hamurabi – Babilônia): “olho por olho, dente por dente” que normatizava a vingança, determinando que a punição fosse proporcional ao crime cometido, impedindo com isso que ela fosse muito maior que o dano sentido, talvez, já tentando frear um sentimento tão destrutivo.

    A idéia da vingança está presente em nossa cultura e faz parte do “inconsciente coletivo”, mas é um sinal inequívoco de que você ainda se importa muito com o outro. Dizem que a vingança tem “um doce sabor”, mas se você se centrar nela, estará escolhendo conviver com o amargo da vida. Coloque-se como centro da sua vida e faça coisas que lhe deixem bem; pra começar, não fique com a raiva guardada no seu peito, e se você achar conveniente e precisar, procure a pessoa que lhe magoou, lhe feriu e fale claramente sobre a sua decepção e raiva, mas se você avaliar que o melhor para você é eliminar a pessoa da sua vida,a partir daí tente não procurar saber da existência dela; gaste seu tempo e energia com quem realmente merece ser lembrado, amado e fazer parte da sua vida.

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